Para Refletir

Há momentos na vida difíceis de serem suportados, em que a única vontade que sentimos é de chorar, pois parecem arruinar para sempre nossa vida. Quando um destes momentos chegar, lembre-se que ainda não chegou o fim, que a sua história ainda não acabou e que ainda há esperança. Corrie Ten Boom disse: "não há abismo tão profundo que o amor de Deus não seja ainda mais profundo". Este amor você encontra aqui, um lugar de esperança, consolo e paz, e aqui encontrará a oportunidade de conhecer a verdadeira vida, uma vida abundante com Cristo.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

A ALIANÇA: SUAS PROMESSAS, BÊNÇÃOS E MALDIÇÕES

¹⁴ Eis que, já hoje, sigo pelo caminho de todos os da terra; e vós bem sabeis de todo o vosso coração e de toda a vossa alma que nem uma só promessa caiu de todas as boas palavras que falou de vós o Senhor, vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem uma delas falhou. ¹⁵ E sucederá que, assim como vieram sobre vós todas estas boas coisas que o Senhor, vosso Deus, vos prometeu, assim cumprirá o Senhor contra vós outros todas as ameaças até vos destruir de sobre a boa terra que vos deu o Senhor, vosso Deus. ¹⁶ Quando violardes a aliança que o Senhor, vosso Deus, vos ordenou, e fordes, e servirdes a outros deuses, e os adorardes, então, a ira do Senhor se acenderá sobre vós, e logo perecereis na boa terra que vos deu (Js 23.14-16).

INTRODUÇÃO:

Conforme já vimos em estudos anteriores, uma Aliança é o relacionamento de amor entre Deus e o seu povo e entre as características singulares deste relacionamento é que a Aliança é de iniciativa exclusiva de Deus. Foi Deus quem decidiu criar e foi Deus quem decidiu relacionar-se com a sua criação. E quando o homem rompeu seu relacionamento com Deus, foi Deus quem decidiu restaurar este relacionamento. Não vemos em Gênesis o homem como um ser ignorante perguntando: Quem sou eu? De onde eu vim? O que estou fazendo neste lugar? Deus o criou, revelou-se a ele como seu Criador e ele entendeu muito bem isso.

Deus abençoou a Adão e Eva lá no Jardim do Éden e estabeleceu com eles um relacionamento. E este relacionamento tem como base o amor de Deus e não qualquer carência de Deus, pois Deus é completo em Si mesmo e não necessita de nada e de ninguém, mas foi movido pelo seu infinito amor que Deus estabelece este relacionamento com as suas criaturas através de uma aliança e esta Aliança era recheada de preciosas promessas, de maravilhosas bênçãos, mas também de pesadas maldições.

01 – A ALIANÇA E AS SUAS PROMESSAS:

As promessas da Aliança são muito importantes. Elas merecem uma atenção muito especial porque são o alicerce do relacionamento estabelecido por Deus com o seu povo. Naquela época, os pactos incluíam uma descrição do rei, dos benefícios que ele concederia ao pactuante, bem como as estipulações que o pactuante deveria obedecer para permanecer no pacto. Havia também maldições previstas caso uma das partes não cumprisse com a sua parte na aliança. Portanto, a Aliança é um relacionamento alicerçado nas promessas de Deus.

E esta é a parte de Deus na Aliança: Cumprir as suas promessas! A fidelidade de Deus no cumprimento de suas promessas é uma das bases da Aliança, pois o não cumprimento de qualquer uma delas implicaria em anulação da Aliança, o que seria um desastre para o pactuante. Entende, agora, no que implica a luta de Satanás contra Deus? Ele não tem a pretensão de matar Deus, pois sabe que jamais poderá fazer isso, ele não pretende vencer Deus, pois sabe que jamais o conseguirá, mas se ele conseguir colocar uma mancha em Deus, por menor que seja ela, terá manchado a reputação imaculada de Deus. A fidelidade de Deus é tão essencial que Ele não luta contra o diabo com a força de seu poder, porque se fosse assim não haveria luta, porque não há poder que se equipara ao poder de Deus, antes, Deus luta contra o diabo pela força de sua fidelidade.

É pelo exemplo da fidelidade de Deus no cumprimento de suas promessas que Ele preservou para nós o Antigo Testamento, pois é nele que encontramos registrado as suas promessas, tanto aquelas que já se cumpriram como as que ainda hão de se cumprir. E pelo cumprimento das que se cumpriram podemos ter a esperança de todas as demais promessas de Deus. Sabe por quê?

PORQUE PARA DEUS NÃO HAVERÁ IMPOSSÍVEIS EM TODAS AS SUAS PROMESSAS (Lc 1.37).

E o testemunho dos patriarcas quanto à fidelidade de Deus com certeza será o testemunho de tantos quantos confiam e aguardam no Senhor. Josué deu um destes testemunhos quando disse:

Eis que, já hoje, sigo pelo caminho de todos os da terra; e VÓS BEM SABEIS DE TODO O VOSSO CORAÇÃO E DE TODA A VOSSA ALMA QUE NEM UMA SÓ PROMESSA CAIU DE TODAS AS BOAS PALAVRAS QUE FALOU DE VÓS O SENHOR, VOSSO DEUS; TODAS VOS SOBREVIERAM, NEM UMA DELAS FALHOU (Js 23.14).

Nem uma única promessa de Deus deixou de ser cumprida. Encontramos a primeira grande promessa feita por Deus logo após a Queda:

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. ESTE TE FERIRÁ A CABEÇA, E TU LHE FERIRÁS O CALCANHAR (Gn 3.15).

Observando a concordância da frase, o Descendente da mulher, que é uma referência a Jesus Cristo, ferirá a cabeça da serpente, que é uma referência a Satanás, enquanto que este lhe ferirá o calcanhar. Um ferimento na cabeça é um ferimento irrecuperável, mortal. Jesus foi ferido pela morte, mas ressuscitou pelo poder de Deus. Esta promessa reflete todo o plano da redenção. Percebemos nela que um conflito foi estabelecido por Deus em que a humanidade foi dividida, de um lado estão os que amam a Deus e o serve, e do outro lado estão os que se rebelam contra ele e serve a Satanás. Jesus enfatizou esta inimizade nas palavras de despedida com seus discípulos quando disse:

SE O MUNDO VOS ODEIA, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, POR ISSO, O MUNDO VOS ODEIA (Jo 15.18-19).

Esta é a inimizade anunciada por Deus lá no Éden. Jesus Cristo feriu a cabeça da serpente na cruz do Calvário, pois assim a Bíblia diz sobre a obra de Cristo:

E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, VOS DEU VIDA JUNTAMENTE COM ELE, PERDOANDO TODOS OS NOSSOS DELITOS;  TENDO CANCELADO O ESCRITO DE DÍVIDA, QUE ERA CONTRA NÓS e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, REMOVEU- O INTEIRAMENTE, ENCRAVANDO-O NA CRUZ; E, DESPOJANDO OS PRINCIPADOS E AS POTESTADES, PUBLICAMENTE OS EXPÔS AO DESPREZO, TRIUNFANDO DELES NA CRUZ (Cl 2.13-15).

Nesta vitória a serpente desferiu um ferimento no calcanhar do Descendente, que significa um ferimento recuperável, ferimento este que foi a morte na cruz, a qual foi vencida no terceiro dia com a ressurreição de Cristo. A plenitude desta vitória será quando Cristo voltar e puser fim ao nosso maior inimigo que é a morte, conforme escreve João:

E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, E A MORTE JÁ NÃO EXISTIRÁ, JÁ NÃO HAVERÁ LUTO, NEM PRANTO, NEM DOR, porque as primeiras coisas passaram (Ap 21.4).

E a Aliança da redenção foi progressivamente, no decorrer da História da Humanidade, sendo revelado à raça humana. Foi a promessa de redenção feita lá no Jardim do Éden que levou Deus a não destruir completamente a vida na terra por meio do dilúvio, depois que a maldade do homem se multiplicou na terra. Deus firmou um Pacto com Noé e seus filhos e os abençoou com a mesma bênção que havia dado a Adão e Eva, prometendo não mais destruir a terra pelo dilúvio.

E Deus continua revelando a Aliança da Redenção ao longo da História, acrescentando a cada renovação uma promessa. Com Abraão Deus acrescenta a promessa de constituir um povo e de lhe dar uma terra e com Moisés Deus acrescenta a promessa de posse da terra prometida. A aliança com Adão anuncia a redenção, onde o Messias haveria de vencer a serpente, A Aliança com Noé preservava a vida na Terra e a aliança com Abraão separava e preparava um povo para Deus, por meio do qual viria o Messias, o Descendente descrito lá em Gênesis:

ESTABELECEREI A MINHA ALIANÇA ENTRE MIM E TI E A TUA DESCENDÊNCIA NO DECURSO DAS SUAS GERAÇÕES, ALIANÇA PERPÉTUA, para ser o teu Deus e da tua descendência (Gn 17.7).

E mais uma vez Satanás tenta colocar Deus em xeque-mate tentando destruir a Israel, o povo de Deus, pois se ele conseguisse destruir este povo impossibilitava a Deus de cumprir a sua promessa. Entende agora porque a nação de Israel é tão odiada e perseguida neste mundo? Entende porque esta nação não pode ser destruída? É a fidelidade de Deus que está em jogo, a nação de Israel é apenas um instrumento nesta luta de Satanás contra Deus, assim como Jó foi o instrumento de Deus para comprovar ao diabo que o homem pode servir e adorar a Deus independente de bênçãos.

A vinda de Jesus Cristo, o Messias Prometido, deve ser para nós motivo de ações de graça e esperança. Ações de graças por ela ter se cumprido e não termos mais que esperar por esta maravilhosa promessa. Devemos ter a mesma reação e orar como orou Zacarias por ocasião do nascimento de Jesus, quando disse:

Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, PORQUE VISITOU E REDIMIU O SEU POVO, E NOS SUSCITOU PLENA E PODEROSA SALVAÇÃO NA CASA DE DAVI, SEU SERVO, COMO PROMETERA, DESDE A ANTIGUIDADE, por boca dos seus santos profetas, para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam; para usar de misericórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa aliança e do juramento que fez a Abraão, o nosso pai, de conceder-nos que, livres das mãos de inimigos, o adorássemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os nossos dias (Lc 1.68-75).

E quando Ele veio, veio com superiores promessas, dentre elas a maior de todas, conforme escreve João:

E ESTA É A PROMESSA QUE ELE MESMO NOS FEZ, A VIDA ETERNA (1 Jo 2.25).

Não há promessa maior do que a vida eterna com Deus. E se por um lado esta promessa, por si só, é bendita e esplendorosa, seu esplendor se intensifica pelo meio do qual nos tornamos herdeiro de Deus, de uma maneira que nada nos custa e que nada dependa de nós: Pela graça de Deus. A promessa não depende do cumprimento, pelo pactuante, dos termos da Aliança, mas tão somente da fidelidade e graça de Deus. Paulo confirma isso quando diz:

PORQUE, SE A HERANÇA PROVÉM DE LEI, JÁ NÃO DECORRE DE PROMESSA; mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão (Gl 3.18).

E em Romanos ele também confirma isso quando diz:

POIS, SE OS DA LEI É QUE SÃO OS HERDEIROS, ANULA-SE A FÉ E CANCELA-SE A PROMESSA (Rm 4.14).

Portanto, devemos viver de acordo como nos orienta o autor de Hebreus, que nos diz:

Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, POIS QUEM FEZ A PROMESSA É FIEL (Hb 10.23). E Pedro também nos motiva, dizendo: Nós, porém, SEGUNDO A SUA PROMESSA, ESPERAMOS NOVOS CÉUS E NOVA TERRA, nos quais habita justiça (2 Pd 3.13).

E é exatamente no último capítulo da História humana, na consumação dos séculos, no Novo Céu e na Nova Terra, que a Aliança da Redenção, inaugurada lá em Gênesis será consumada. João, ao ver toda aquela multidão procedente de toda raça, tribo, língua e nação, exclama:

Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o Tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. ELES SERÃO POVOS DE DEUS, E DEUS MESMO ESTARÁ COM ELES. E LHES ENXUGARÁ DOS OLHOS TODA LÁGRIMA, E A MORTE JÁ NÃO EXISTIRÁ, JÁ NÃO HAVERÁ LUTO, NEM PRANTO, NEM DOR, PORQUE AS PRIMEIRAS COISAS PASSARAM (Ap 21.3,4).

Esta é a consumação da promessa de Deus. Que Ele nos abençoe a sermos perseverantes, pois é aos vencedores que esta promessa se cumprirá. Amém!

02 – A ALIANÇA: SUAS BÊNÇÃOS E MALDIÇÕES:

Deus criou o homem e estabeleceu com ele uma Aliança. Uma aliança é o compromisso mútuo feito entre duas pessoas ou grupos. Desde o início Deus toma a iniciativa e institui a Aliança e espera do pactuante uma resposta: Fidelidade ou infidelidade. A Aliança torna-se uma metáfora bíblica usada para descrever o relacionamento de Deus com o pactuante. Esse tipo de relacionamento é baseado em promessas mútuas de confiança em que há obrigações e responsabilidades, de forma que bênçãos e maldições estão diretamente associadas com a aliança que Deus fez com o pactuante. Deus coloca diante do pactuante a escolha entre vida e a morte e exige dele uma decisão. Infelizmente, a opção do pactuante foi a morte, sendo ela a maldição pela desobediência. Veja o recado de Deus para Adão:

E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; PORQUE, NO DIA EM QUE DELA COMERES, CERTAMENTE MORRERÁS (Gn 2.16-17).

Foi muito bem esclarecido ao pactuante o que aconteceria se ele desobedecesse e comesse daquele fruto. Este era o lado da maldição da Aliança, a consequência pela desobediência. A bênção da Aliança começa com a criação do homem:

CRIOU DEUS, POIS, O HOMEM À SUA IMAGEM, À IMAGEM DE DEUS O CRIOU; homem e mulher os criou (Gn 1.27).

Ter sido criado já é bênção, pois poderíamos nunca ter conhecido a vida. E ter sido criado à imagem e semelhança de Deus é uma bênção sem igual. Esta semelhança não está em ter pés, braços, boca, orelha, nariz, pois estes membros também estão presentes nos animais, além do fato de que Deus é Espírito. Mas o homem recebeu algo que os animais não receberam:

Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra E LHE SOPROU NAS NARINAS O FÔLEGO DE VIDA, E O HOMEM PASSOU A SER ALMA VIVENTE (Gn 2.7).

Esta é a grande diferença entre o homem e os animais. Há uma alma dentro dele, uma extensão de Deus e ela não morre. Isso fez do homem um ser racional. Ele não é irracional como os animais, que fazem as coisas por instinto. Antes, ele faz tudo raciocinando, fazendo as suas escolhas, porque recebeu de Deus este livre arbítrio. O lado da bênção da Aliança estava sendo vivenciado pelo pactuante. Deus o criou livre, sem pecado, embora com a possibilidade de pecar. Foram criados sem concupiscência no coração. Veja:

Ora, um e outro, o homem e sua mulher, ESTAVAM NUS E NÃO SE ENVERGONHAVAM (Gn 2.25).

Eles viviam nus e isso não era problema para nenhum deles. E hoje, com o coração concupiscente, sentimos na alma o quanto era maravilhosa esta bênção de Deus. E após a sua criação, a bênção para o homem continua quando Deus lhes disse:

E DEUS OS ABENÇOOU E LHES DISSE: SEDE FECUNDOS, MULTIPLICAI-VOS, ENCHEI A TERRA E SUJEITAI-A; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra (Gn 1.28).

Era para ele se multiplicar, encher aquela terra maravilhosa, recém-criada, e dominar sobre ela. O homem foi a criatura mais poderosa que Deus criou na terra. Deus o colocou como dominador de sua criação. E como livre que é o homem pode escolher entre preservar e destruir este mundo que recebeu de Deus. Ele cumpriu a ordem de Deus, se multiplicou, encheu a terra e dominou sobre ela, mas não conseguiu preservar esta criação tão esplêndida de Deus, pois o que mais vimos hoje é a destruição da natureza e a extinção de animais, tudo por causa da negligência da governabilidade do homem. Mas isso também fazia parte da maldição da Aliança, pois assim que Adão pecou Deus lhe disse:

¹⁷ E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, MALDITA É A TERRA POR TUA CAUSA; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. ¹⁸ ELA PRODUZIRÁ TAMBÉM CARDOS E ABROLHOS, e tu comerás a erva do campo. ¹⁹ No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás (Gn 3.17-19).

E Paulo confirma esta maldição quando diz:

Porque sabemos que TODA A CRIAÇÃO, A UM SÓ TEMPO, GEME E SUPORTA ANGÚSTIAS até agora (Rm 8.22).

Tudo isso porque o homem não conseguiu ser fiel à Aliança. Ele não soube, e nem sabe ainda hoje, aplicar com justiça e com sabedoria a sua governabilidade sobre este mundo. Mas havia mais na bênção de Deus:

E disse Deus ainda: EIS QUE VOS TENHO DADO TODAS AS ERVAS QUE DÃO SEMENTE E SE ACHAM NA SUPERFÍCIE DE TODA A TERRA E TODAS AS ÁRVORES EM QUE HÁ FRUTO QUE DÊ SEMENTE; ISSO VOS SERÁ PARA MANTIMENTO (Gn 1.29).

O homem não nasceu carnívoro. O alimento dele era as erva do campo, as sementes e os frutos das árvores. E não era somente para ele, mas para toda a criação de Deus:

E A TODOS OS ANIMAIS DA TERRA, E A TODAS AS AVES DOS CÉUS, E A TODOS OS RÉPTEIS DA TERRA, EM QUE HÁ FÔLEGO DE VIDA, TODA ERVA VERDE LHES SERÁ PARA MANTIMENTO. E assim se fez (Gn 1.30).

A paz reinava até mesmo entre os animais, não sendo nenhum a cadeia alimentar de outro. Mas até nisso vemos o lado da maldição da Aliança. Quando Deus disse para Adão que a terra era maldita por sua causa, preste atenção no que Ele disse:

¹⁷ E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; EM FADIGAS OBTERÁS DELA O SUSTENTO DURANTE OS DIAS DE TUA VIDA. ¹⁸ ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. ¹⁹ NO SUOR DO ROSTO COMERÁS O TEU PÃO, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás (Gn 3.17-19).

Quanto sofrimento e angústias teriam sido evitados se o homem tivesse permanecido fiel à Aliança com seu Deus. E as bênçãos para o homem continuava a fluir:

E PLANTOU O SENHOR DEUS UM JARDIM NO ÉDEN, NA DIREÇÃO DO ORIENTE, E PÔS NELE O HOMEM QUE HAVIA FORMADO. ⁹ Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento... (Gn 2.8-9).

Foram colocados em um jardim, com a tarefa de cultivá-lo e cuidar dele e dos animais, tanto que Adão deu nome a cada um deles. Era para eles crescerem e se multiplicarem naquele lugar, onde não havia miséria, intrigas, choro, angústias. Havia paz plena naquele lugar, até mesmo entre os animais. Não havia motivo de medo um do outro, nenhum aterrorizava ao outro, não havia motivo para um evitar ao outro, pois não havia motivo de nenhum ter medo ou qualquer receio do outro ou de qualquer outra coisa. Este era o concerto que havia entre Deus e os homens e com toda a criação. A bênção pela obediência era a permanência em seu estado original de pureza e dessa forma todos gozariam a paz para a qual foram criados.

Mas convém lembrar que em todos os concertos há promessas de bênçãos, mas há também de maldições. A contrapartida da manutenção das bênçãos é a fé e a fiel obediência à Aliança, enquanto que as maldições provêm da desobediência. Naquele jardim havia algo mais plantado ali:

⁸ E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, na direção do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado. ⁹ Do solo fez o Senhor Deus brotar toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento; E TAMBÉM A ÁRVORE DA VIDA NO MEIO DO JARDIM E A ÁRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL (Gn 2.8-9).

E havia algo a ser observado quanto àquele fruto:

¹⁶ E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, ¹⁷ MAS DA ÁRVORE DO CONHECIMENTO DO BEM E DO MAL NÃO COMERÁS; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gn 2.16-17).

Ele não poderia comer daquele fruto. Das mais variedades de frutos que existia naquele jardim eles podiam comer 99% deles, sendo que apenas uma fruta eles não podiam comer, um único fruto não podia fazer parte de sua cadeia alimentar. Mas as mais variáveis frutas, por mais belas e saborosas que fossem não foram suficientes para manter o homem fiel à Aliança com seu Deus. Um dia ele cedeu à tentação e comeu daquele fruto que não era para ele comer. E aconteceu com ele exatamente aquilo que Deus disse que lhe aconteceria se ele comesse daquele fruto, acabou a paz perfeita, acabou o relacionamento perfeito.

O maior lado da bênção não era a vivência em um maravilhoso jardim, onde reinava a plena paz, mas a mais maravilhosa bênção era o relacionamento perfeito com Deus, a visita diária de Deus à sua criatura. Todos os dias, por ocasião da virada do dia, Deus vinha conversar face a face com o homem; era uma conversa presencial. Mas algo aconteceu depois que eles comeram do fruto daquela árvore que não era para eles comerem. Veja:

Quando ouviram a voz do Senhor Deus, que andava no jardim pela viração do dia, ESCONDERAM-SE DA PRESENÇA DO SENHOR DEUS, O HOMEM E SUA MULHER, POR ENTRE AS ÁRVORES DO JARDIM (Gn 3.8).

Naquele dia, naquela tarde, quando o Senhor chama pelo homem, algo não está mais normal, pois o homem fugia da presença daquele com quem conversava livremente todos os dias. E quando finalmente se apresentaram a Deus, o diálogo não era mais o mesmo, alguma coisa estava errada para o homem, pois este disse para Deus:

Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, E, PORQUE ESTAVA NU, TIVE MEDO, E ME ESCONDI (Gn 3.10).

Deus logo percebeu que alguma coisa estava errada e foi exatamente no ponto:

Perguntou-lhe Deus: QUEM TE FEZ SABER QUE ESTAVAS NU? COMESTE DA ÁRVORE DE QUE TE ORDENEI QUE NÃO COMESSES (Gn 3.11)?

A partir daquele momento as coisas nunca mais foram as mesmas. Esse diálogo diário consistia no principal aspecto da Aliança: Relacionamento com Deus. A bênção consistia na criatura relacionar-se com seu Criador e a maldição consistia na perda deste relacionamento. No jardim, Deus estava presente fisicamente todos os dias na vida do pactuante. Depois da queda vemos a presença de Deus somente lá no tabernáculo, que por meio do profeta Moisés, o Senhor ordenou aos filhos de Israel que edificassem um tabernáculo, o qual seria um santuário onde o Senhor poderia habitar entre o seu povo. Mas não era qualquer um que poderia adentrar na presença de Deus. Com a construção do Templo o lugar de habitação de Deus era o Santo dos Santos, local onde somente o sumo sacerdote poderia entrar e não sem sangue. O autor do livro de Hebreus assim fala deste lugar:

⁶ Ora, depois de tudo isto assim preparado, continuamente entram no primeiro tabernáculo os sacerdotes, para realizar os serviços sagrados; ⁷ MAS, NO SEGUNDO, O SUMO SACERDOTE, ELE SOZINHO, UMA VEZ POR ANO, NÃO SEM SANGUE, QUE OFERECE POR SI E PELOS PECADOS DE IGNORÂNCIA DO POVO, ⁸ querendo com isto dar a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do Santo Lugar não se manifestou, enquanto o primeiro tabernáculo continua erguido (Hb 9.6-8).

O Santo dos Santos representava a presença de Deus e somente o sumo sacerdote poderia entrar lá e este lugar estava separado por um véu. E foi este véu que se rasgou de alto a baixo quando Jesus, nosso Sumo Sacerdote morreu lá na cruz:

³⁷ Mas Jesus, dando um grande brado, expirou. E O VÉU DO SANTUÁRIO RASGOU-SE EM DUAS PARTES, DE ALTO A BAIXO (Mc 15.37-38).

Representando que a porta para a presença de Deus, fechada lá no Éden, estava aberta novamente, cumprindo àquilo que Jesus disse para a mulher samaritana:

Mas vem a hora e já chegou, EM QUE OS VERDADEIROS ADORADORES ADORARÃO O PAI EM ESPÍRITO E EM VERDADE; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores (Jo 4.23).

E o autor de Hebreus fala que esta intrepidez é entrar no Santo dos Santos:

¹⁹ Tendo, pois, irmãos, INTREPIDEZ PARA ENTRAR NO SANTO DOS SANTOS, PELO SANGUE DE JESUS, ²⁰ PELO NOVO E VIVO CAMINHO QUE ELE NOS CONSAGROU PELO VÉU, isto é, pela sua carne, ²¹ e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, ²² aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura (Hb 10.19-22).

Jesus quebrou a maldição da queda que nos separou de Deus. Ele fez isso tomando para Si esta maldição, pois Paulo diz:

CRISTO NOS RESGATOU DA MALDIÇÃO DA LEI, FAZENDO-SE ELE PRÓPRIO MALDIÇÃO EM NOSSO LUGAR (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro) (Gl 3.13).

Temos livre acesso a Deus restaurado pelo sacrifício de Jesus Cristo. Claro que este acesso não é mais físico como o era lá no Éden, está bênção neste mundo perdemos para sempre. Aqui, agora, esta presença é espiritual, mas não significa que não seja uma presença, pois apesar de não podermos vê-lo com nossos olhos o podemos sentir em nossas emoções, porque diferente de lá no Éden, em que Deus estava fisicamente presente diante de Adão, hoje Ele habita dentro do coração regenerado. Paulo confirma esta verdade quando diz:

No qual também vós juntamente estais sendo edificados PARA HABITAÇÃO DE DEUS NO ESPÍRITO (Ef 2.22).

E diz ainda:

Não sabeis que sois santuário de Deus E QUE O ESPÍRITO DE DEUS HABITA EM VÓS (1 Co 3.16)?

Viveremos assim até o retorno do Messias, quando finalmente, os que forem salvos, provará a restauração integral do relacionamento e da presença de Deus em nossas vidas, cumprindo àquilo que o próprio Senhor Jesus falou:

E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, PARA QUE, ONDE EU ESTOU, ESTEJAIS VÓS TAMBÉM (Jo 14.3).

Viver na presença de Deus será realidade no céu e isso será por toda a eternidade. E diferente do Éden não haverá mais nem a possibilidade de pecado, pois João escreve:

³ NUNCA MAIS HAVERÁ QUALQUER MALDIÇÃO. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, ⁴ contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele. ⁵ Então, já não haverá noite, nem precisam eles de luz de candeia, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão pelos séculos dos séculos (Ap 22.3-5).

Diante desta verdade resta somente uma coisa a dizer: Maranata! Venha logo Senhor Jesus. Amém!

CONCLUSÃO:

Não há Deus como o nosso Deus. Ele é completo, Ele é perfeito, Ele maravilhoso. Ele é fiel, imutável e eterno. Grandes e maravilhosas são as suas promessas, assim como firme e certo o seu cumprimento. Nunca duvide de Deus. Nunca questione Deus. Nunca exija nada de Deus. Nunca nem ouse pensar que pode colocar Deus em uma sinuca, em xeque-mate. Nunca tente negociar com Deus. Apenas creia e se submeta a Ele, porque Ele é o Criador e tudo fez com perfeição, mesmo que não venhamos a entender isso por agora.

Este Deus criou o homem, colocou-o em um jardim, fez com ele uma aliança, prometeu a ele bênçãos maravilhosas se permanecesse fiel e alertou a ele que haveria maldições caso ele não permanecesse fiel. O homem fez a sua escolha e Deus agiu de uma forma surpreendente, que poderia vir somente de alguém que é perfeito, justo e poderoso para fazer cumprir toda a sua vontade. Que Deus te abençoe a entender todas essas coisas e venhas a crer e a se submeter ao Deus único e verdadeiro. Amém!

Luiz Lobianco

 

Bibliografia:

Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil.

Revista Palavra Viva: O Pacto da Graça. Editora Cultura Cristã.