Para Refletir

Há momentos na vida difíceis de serem suportados, em que a única vontade que sentimos é de chorar, pois parecem arruinar para sempre nossa vida. Quando um destes momentos chegar, lembre-se que ainda não chegou o fim, que a sua história ainda não acabou e que ainda há esperança. Corrie Ten Boom disse: "não há abismo tão profundo que o amor de Deus não seja ainda mais profundo". Este amor você encontra aqui, um lugar de esperança, consolo e paz, e aqui encontrará a oportunidade de conhecer a verdadeira vida, uma vida abundante com Cristo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2023

A ALIANÇA COM NOÉ: RENOVAÇÃO SIM, NOVA ALIANÇA NÃO

Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra. ² Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues. ³ Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora. ⁴ Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis. ⁵ Certamente, requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; de todo animal o requererei, como também da mão do homem, sim, da mão do próximo de cada um requererei a vida do homem. ⁶ Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem. ⁷ Mas sede fecundos e multiplicai-vos; povoai a terra e multiplicai-vos nela. ⁸ Disse também Deus a Noé e a seus filhos: ⁹ Eis que estabeleço a minha aliança convosco, e com a vossa descendência, ¹⁰ e com todos os seres viventes que estão convosco: tanto as aves, os animais domésticos e os animais selváticos que saíram da arca como todos os animais da terra. ¹¹ Estabeleço a minha aliança convosco: não será mais destruída toda carne por águas de dilúvio, nem mais haverá dilúvio para destruir a terra. ¹² Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações: ¹³ porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra. ¹⁴ Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco, ¹⁵ então, me lembrarei da minha aliança, firmada entre mim e vós e todos os seres viventes de toda carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda carne. ¹⁶ O arco estará nas nuvens; vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda carne que há sobre a terra. ¹⁷ Disse Deus a Noé: Este é o sinal da aliança estabelecida entre mim e toda carne sobre a terra (Gn 9.1-17).

INTRODUÇÃO:

Quando Deus criou o homem e o colocou no Jardim do Éden, onde Adão e Eva, por fim, acabam desobedecendo a Deus e de lá são expulsos por causa do pecado, Deus faz com eles uma Aliança e ordena que se multipliquem pela terra. Mas contaminados pelo pecado e com a comunhão com Deus interrompida as gerações vindouras que se multiplicaram trás com eles a multiplicação da iniquidade. Isso desagrada a Deus que manda o dilúvio, mas não se esquece de sua Aliança e preserva a Noé e a sua família juntamente com os animais.

Deus ordena a Noé a construção da arca e enquanto a construía Noé pregava e convidava a todos a entrarem naquela arca, mas ninguém deu a menor importância ao amor e providência de Deus, ninguém deu ouvidos à pregação de Noé, pois ninguém entrou naquela arca a não ser a Noé e a sua família.

Deus, enfim, manda o dilúvio, extermina os que não estavam na arca e quando as águas baixaram Noé sai da arca com a sua família e ergue um altar e oferece sacrifício ao Senhor que se comove em seu íntimo e renova com Noé a sua Aliança, prometendo não mais destruir a terra pelo dilúvio. O que acontece aqui não é uma nova aliança, mas sim a renovação da Aliança que Deus fizera com o homem lá no Éden.

01 – A ALIANÇA E A RENOVAÇÃO PELA PRESERVAÇÃO:

Quando termina o dilúvio e Noé sai da arca com a sua família, sua primeira atitude foi erguer um altar e oferecer sacrifício ao Senhor, conforme nos informa Gênesis:

LEVANTOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR E, TOMANDO DE ANIMAIS LIMPOS E DE AVES LIMPAS, OFERECEU HOLOCAUSTOS SOBRE O ALTAR (Gn 8.20).

Esta atitude poderia vir somente de um homem temente a Deus, que mesmo contemplando a destruição de seu mundo, de sua cidade, de sua casa e a morte de seus conterrâneos, não demonstra nenhum rancor, nenhuma mágoa, nenhuma revolta, nenhum ressentimento e nenhum julgamento da ação de Deus, como que entendendo que não havia outra coisa a ser feita senão o que Ele fez.

Às vezes, é necessário tomar medidas drásticas, medidas que chocam, medidas que ferem, medidas que doem, mas medidas que tragam no futuro benefícios gloriosos que fará esquecer o sofrimento passado. O dilúvio foi uma medida drástica de Deus, foi uma ação de Deus em resposta à rebeldia da humanidade. Pedro diz que ele aconteceu por ordem de Deus:

Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água PELA PALAVRA DE DEUS, ⁶ PELA QUAL VEIO A PERECER O MUNDO DAQUELE TEMPO, AFOGADO EM ÁGUA (2 Pd 3.5-6).

Esta medida drástica pesou no coração de Deus, porque o dilúvio não trouxe redenção para a humanidade, mas apenas a aplicação do juízo de Deus aos malfeitores. Quando Noé e sua família saíram daquela arca, saíram tão pecadores quanto entraram. Tanto isso é verdade que logo depois acontece o episódio da Torre de Babel, mas o Senhor se lembra de sua Aliança e não pune a humanidade como o fizera no dilúvio, apenas os espalham pela face da Terra.

E quando Noé sai da arca ele oferece holocausto a Deus e a palavra de Deus nos mostra que o sacrifício de Noé tocou o coração de Deus:

E O SENHOR ASPIROU O SUAVE CHEIRO E DISSE CONSIGO MESMO: NÃO TORNAREI A AMALDIÇOAR A TERRA POR CAUSA DO HOMEM, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz. ENQUANTO DURAR A TERRA, NÃO DEIXARÁ DE HAVER SEMENTEIRA E CEIFA, FRIO E CALOR, VERÃO E INVERNO, DIA E NOITE (Gn 8.21-22).

Deus promete não agir mais da forma como agiu. Se por um lado estas palavras de “enquanto durar a terra” indica que um dia ela terá um fim, por outro podemos descansar nas promessas de um Deus fiel, que nunca falhou e que nunca permitiu que qualquer promessa sua caísse por terra.

Foi no cenário do dilúvio que Deus renova com Noé a sua Aliança. O dilúvio foi drástico, mas seu objetivo era sublime: Renovar. Assim que as águas baixam e Noé sai da arca com sua família, Deus lhes diz:

Mas sede fecundos e multiplicai-vos; povoai a terra e multiplicai-vos nela. Disse também Deus a Noé e a seus filhos: EIS QUE ESTABELEÇO A MINHA ALIANÇA CONVOSCO, E COM A VOSSA DESCENDÊNCIA, E COM TODOS OS SERES VIVENTES QUE ESTÃO CONVOSCO: TANTO AS AVES, OS ANIMAIS DOMÉSTICOS E OS ANIMAIS SELVÁTICOS QUE SAÍRAM DA ARCA COMO TODOS OS ANIMAIS DA TERRA. ESTABELEÇO A MINHA ALIANÇA CONVOSCO: NÃO SERÁ MAIS DESTRUÍDA TODA CARNE POR ÁGUAS DE DILÚVIO, NEM MAIS HAVERÁ DILÚVIO PARA DESTRUIR A TERRA. Disse Deus: ESTE É O SINAL DA MINHA ALIANÇA QUE FAÇO ENTRE MIM E VÓS E ENTRE TODOS OS SERES VIVENTES QUE ESTÃO CONVOSCO, PARA PERPÉTUAS GERAÇÕES: POREI NAS NUVENS O MEU ARCO; será por sinal da aliança entre mim e a terra (Gn 9.7-13).

E esta promessa de Deus nunca será esquecida e permanece de pé até aos dias de hoje. Isso não quer dizer que nunca mais haverá juízo de Deus sobre a Terra. Conhecendo as Escrituras Sagradas sabemos muito bem o fim que aguarda a Terra. A maldade do homem se multiplicou sobre a face da Terra e por causa desse mal aconteceu o dilúvio. Mais uma vez este mal volta a acontecer e mais uma vez Deus aplicará o seu juízo. Pedro fala do futuro da Terra ao escrever:

Ora, OS CÉUS QUE AGORA EXISTEM E A TERRA, PELA MESMA PALAVRA, TÊM SIDO ENTESOURADOS PARA FOGO, ESTANDO RESERVADOS PARA O DIA DO JUÍZO e destruição dos homens ímpios (2 Pd 3.7).

O mesmo Deus que ordenou o dilúvio e destruiu aos malfeitores providenciará nova destruição da Terra e, desta vez, aniquilará para sempre aos ímpios. E Pedro diz como será o fim desta Terra:

Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, NO QUAL OS CÉUS PASSARÃO COM ESTREPITOSO ESTRONDO, E OS ELEMENTOS SE DESFARÃO ABRASADOS; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas (2 Pd 3.10).

E Jesus, falando desse grande dia do juízo de Deus, diz:

Logo em seguida à tribulação daqueles dias, O SOL ESCURECERÁ, A LUA NÃO DARÁ A SUA CLARIDADE, AS ESTRELAS CAIRÃO DO FIRMAMENTO, E OS PODERES DOS CÉUS SERÃO ABALADOS (Mt 24.29).

Mais uma vez a Terra vai sentir os efeitos da Ira de Deus. Mas glória a Deus porque, se por um lado temos Pedro anunciando a destruição da Terra, por outro temos João afirmando a restauração da Terra, pois João nos escreve:

VI NOVO CÉU E NOVA TERRA, POIS O PRIMEIRO CÉU E A PRIMEIRA TERRA PASSARAM, e o mar já não existe (Ap 21.1).

Pedro descreve um céu e uma terra destruída. João, olhando para um tempo além de Pedro, vê um novo céu e uma nova terra. O que foi destruído foi restaurado. E tudo isso, mais uma vez, é ação direta de Deus, pois Ele mesmo nos diz:

POIS EIS QUE EU CRIO NOVOS CÉUS E NOVA TERRA; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas (Is 65.17).

No dilúvio é Deus abrindo as comportas dos céus e é Deus fechando estas comportas e colocando limites nas águas. No dia do juízo é Deus destruindo os céus e a terra e é Deus recriando os céus e a terra. Tudo vai ser destruído e tudo vai ser renovado pela mão poderosa de Deus. E por causa disso Pedro diz para a Igreja de Deus:

VISTO QUE TODAS ESSAS COISAS HÃO DE SER ASSIM DESFEITAS, DEVEIS SER TAIS COMO OS QUE VIVEM EM SANTO PROCEDIMENTO E PIEDADE, ¹² esperando e apressando a vinda do Dia de Deus, POR CAUSA DO QUAL OS CÉUS, INCENDIADOS, SERÃO DESFEITOS, E OS ELEMENTOS ABRASADOS SE DERRETERÃO (2 Pd 3.11-12).

Valorizamos e nos apegamos tanto a este mundo que um dia será destruído. Mas Pedro nos alerta a não vivermos assim, apegado ao que é corruptível, que um dia será destruído. E Pedro termina seu pensamento dizendo:

Nós, porém, segundo a sua promessa, ESPERAMOS NOVOS CÉUS E NOVA TERRA, nos quais habita justiça (2 Pd 3.13).

Esta é a esperança da Igreja de Deus. Interessante conciliar estes textos com a criação. Na criação a Bíblia diz:

No princípio, CRIOU DEUS OS CÉUS E A TERRA (Gn 1.1).

E Pedro diz:

Ora, OS CÉUS QUE AGORA EXISTEM E A TERRA, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. ¹⁰ Virá, entretanto, como ladrão, o Dia do Senhor, NO QUAL OS CÉUS PASSARÃO COM ESTREPITOSO ESTRONDO, e os elementos se desfarão abrasados; TAMBÉM A TERRA E AS OBRAS QUE NELA EXISTEM SERÃO ATINGIDAS (2 Pd 3.7,10).

E João diz:

VI NOVO CÉU E NOVA TERRA, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe (Ap 21.1).

Tudo leva a entender que o juízo de Deus alcançará os céus e a Terra, ou seja, todo o Universo. E enquanto o dia do juízo de Deus não chega temos a esperança da promessa de Deus na renovação da Aliança com Noé. Com Noé Deus renova a sua Aliança revelando a sua vontade de preservar para sempre a sua criação, tendo como testemunha o arco-íris. O arco-íris nasceu no dia em que Deus prometeu nunca mais destruir a vida na terra pelo dilúvio. Ao vê-lo nas nuvens, Deus se lembra de sua aliança e contém as águas para que não mais destrua a vida na terra. E isto não é uma fábula, mas uma promessa que sai dos próprios lábios do Senhor que disse:

Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, E NELAS APARECER O ARCO, ENTÃO, ME LEMBRAREI DA MINHA ALIANÇA, FIRMADA ENTRE MIM E VÓS E TODOS OS SERES VIVENTES DE TODA CARNE; E AS ÁGUAS NÃO MAIS SE TORNARÃO EM DILÚVIO PARA DESTRUIR TODA CARNE. O arco estará nas nuvens; VÊ-LO-EI E ME LEMBRAREI DA ALIANÇA ETERNA ENTRE DEUS E TODOS OS SERES VIVENTES DE TODA CARNE QUE HÁ SOBRE A TERRA. Disse Deus a Noé: ESTE É O SINAL DA ALIANÇA ESTABELECIDA ENTRE MIM E TODA CARNE SOBRE A TERRA (Gn 9.7-17).

Hoje, vemos muitas inundações locais, regionalizadas, sendo muitas delas consequências das obras realizadas pelo próprio homem, mas este mundo nunca mais verá uma inundação global, porque Deus prometeu isso à humanidade. Voltando à reação de Deus ante ao sacrifício de Noé, Deus disse:

E o Senhor aspirou o suave cheiro e disse consigo mesmo: NÃO TORNAREI A AMALDIÇOAR A TERRA POR CAUSA DO HOMEM, PORQUE É MAU O DESÍGNIO ÍNTIMO DO HOMEM DESDE A SUA MOCIDADE; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz (Gn 8.21).

Deus está dizendo que o homem, sem redenção, é um caso perdido. A terra e os animais não pagariam mais o preço pelos pecados dos homens, não seriam mais destruídos na tentativa de conter o mal. Depois do dilúvio, a próxima grande obra de Deus vai ser a libertação e estabelecimento do povo de Deus. E a próxima ação de Deus para a humanidade vai ser oferecer o seu único Filho, perfeito, justo e santo em sacrifício pelos pecados do homem. Agora sim, Deus deteve o mal! Agora sim, Deus feriu a cabeça da serpente!

Encontramos também, no texto acima, o motivo do por que Deus preservou a vida de Noé, de sua família e dos animais. E por que foi? Preservação é a resposta:

ENQUANTO DURAR A TERRA, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite (Gn 8.22).

Porque Deus é fiel à sua Aliança foi que Deus preservou a tudo! Ele prometeu ferir a cabeça da serpente, o diabo, por meio de um filho de mulher. Como isso ainda não havia acontecido era necessário continuar a raça humana para que a sua promessa fosse cumprida e culminada no sacrifício de Cristo na cruz do Calvário. Que Deus te abençoe a entender esta verdade! Amém!

02 – A ALIANÇA E SUA RENOVAÇÃO COM NOÉ:

O que Deus faz com Noé ao sair da arca não é uma nova Aliança, mas sim a renovação da Aliança original feita lá com Adão e Eva, tanto é que, ao sair da arca, Noé recebe de Deus praticamente a mesma bênção que Deus deu a Adão. Assim abençoou o Senhor a Adão e Eva:

E Deus os abençoou e lhes disse: SEDE FECUNDOS, MULTIPLICAI-VOS, ENCHEI A TERRA E SUJEITAI-A; DOMINAI SOBRE OS PEIXES DO MAR, SOBRE AS AVES DOS CÉUS E SOBRE TODO ANIMAL QUE RASTEJA PELA TERRA. E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; ISSO VOS SERÁ PARA MANTIMENTO. E A TODOS OS ANIMAIS DA TERRA, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, TODA ERVA VERDE LHES SERÁ PARA MANTIMENTO. E assim se fez (Gn 1.28-30).

E agora compare com a bênção que Noé recebe:

Abençoou Deus a Noé e a seus filhos e lhes disse: SEDE FECUNDOS, MULTIPLICAI-VOS E ENCHEI A TERRA. Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; TUDO O QUE SE MOVE SOBRE A TERRA E TODOS OS PEIXES DO MAR NAS VOSSAS MÃOS SERÃO ENTREGUES. TUDO O QUE SE MOVE E VIVE SER-VOS-Á PARA ALIMENTO; COMO VOS DEI A ERVA VERDE, TUDO VOS DOU AGORA (Gn 9.1-3).

A ordem de encher a terra, dominar sobre ela e os animais e a dieta do homem se equiparam nas duas bênçãos. Isso nos mostra que a Aliança é a mesma! Ela apenas se renova em uma nova versão sem perder os princípios originais dos deveres e dos privilégios.

Nesta renovação, Deus não se esqueceu do que aconteceu com Caim, o qual matou a seu irmão, Abel, e ordena claramente na renovação da Aliança com Noé uma punição severa a quem cometer um homicídio:

Certamente, requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; de todo animal o requererei, COMO TAMBÉM DA MÃO DO HOMEM, SIM, DA MÃO DO PRÓXIMO DE CADA UM REQUEREREI A VIDA DO HOMEM. SE ALGUÉM DERRAMAR O SANGUE DO HOMEM, PELO HOMEM SE DERRAMARÁ O SEU; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem (Gn 9.5,6).

Este princípio estabelecido com Noé vai também estar presente na renovação da Aliança com Moisés, pois a lei diz:

QUEM MATAR ALGUÉM SERÁ MORTO (Lv 24.17).

Diz ainda:

Todavia, se alguém ferir a outrem com instrumento de ferro, e este morrer, É HOMICIDA; O HOMICIDA SERÁ MORTO. ¹⁷ Ou se alguém ferir a outrem, com pedra na mão, que possa causar a morte, e este morrer, É HOMICIDA; O HOMICIDA SERÁ MORTO. ¹⁸ Ou se alguém ferir a outrem com instrumento de pau que tiver na mão, que possa causar a morte, e este morrer, É HOMICIDA; O HOMICIDA SERÁ MORTO. ¹⁹ O vingador do sangue, ao encontrar o homicida, matá-lo-á. ²⁰ Se alguém empurrar a outrem com ódio ou com mau intento lançar contra ele alguma coisa, e ele morrer, ²¹ ou, por inimizade, o ferir com a mão, e este morrer, SERÁ MORTO AQUELE QUE O FERIU; É HOMICIDA; o vingador do sangue, ao encontrar o homicida, matá-lo-á (Nm 35.16-21).

E o quarto mandamento do Decálogo diz:

NÃO MATARÁS (Êx 20.13).

Apesar do mandamento de Deus vemos este mal se repetir e multiplicar-se em nossos dias, pois o que mais vemos neste mundo hoje é o aumento da violência contra a vida. A vida parece não ter nenhum valor. A insensibilidade do homem quanto a vida, o sofrimento e o bem-estar de seu próximo nos deixam perplexos! A terra está suja de sangue e clama a Deus por vingança. Um dia Deus se despertará e porá fim a toda essa violência e vingar-se-á de cada homicídio.

Outra coisa que se pode perceber na renovação da Aliança com Noé é a citação, pela primeira vez, de animais limpos e imundos. Quando Noé termina a arca Deus diz a ele para entrar na arca com sua família e assim lhe ordena:

De todo ANIMAL LIMPO levarás contigo sete pares: o macho e sua fêmea; mas dos ANIMAIS IMUNDOS, um par: o macho e sua fêmea (Gn 7.2).

Parece que Deus não precisa explicar nada a Noé sobre estes animais, pois Noé parece ter entendido muito bem a diferenciação entre eles. Apesar da menção e distinção destes animais aqui, não há qualquer restrição quanto ao fato de comer ou não estes animais, pois quando Noé sai da arca ele recebe de Deus estas palavras:

TUDO O QUE SE MOVE E VIVE SER-VOS-Á PARA ALIMENTO; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora (Gn 9.3).

Ele não recebe nenhuma restrição quanto ao que deve e não deve comer. Diferente de Moisés que recebe de Deus esta ordem:

PARA FAZER DIFERENÇA ENTRE O IMUNDO E O LIMPO E ENTRE OS ANIMAIS QUE SE PODEM COMER E OS ANIMAIS QUE SE NÃO PODEM COMER (Lv 11.47).

Mas quando Noé oferece holocausto a Deus, ele oferece de animais limpos:

Levantou Noé um altar ao Senhor E, TOMANDO DE ANIMAIS LIMPOS E DE AVES LIMPAS, ofereceu holocaustos sobre o altar (Gn 8.20).

Desde os dias de Noé os sacrifícios ofertados a Deus eram somente de animais limpos, simbolizando a pureza do Cordeiro de Deus, Jesus Cristo.

Ainda outra coisa que se pode perceber na comparação das bênçãos de Adão e Noé é a diferenciação entre elas na dieta do homem. Observe como era com Adão:

E disse Deus ainda: EIS QUE VOS TENHO DADO TODAS AS ERVAS QUE DÃO SEMENTE E SE ACHAM NA SUPERFÍCIE DE TODA A TERRA E TODAS AS ÁRVORES EM QUE HÁ FRUTO QUE DÊ SEMENTE; ISSO VOS SERÁ PARA MANTIMENTO. ³⁰ E A TODOS OS ANIMAIS DA TERRA, E A TODAS AS AVES DOS CÉUS, E A TODOS OS RÉPTEIS DA TERRA, EM QUE HÁ FÔLEGO DE VIDA, TODA ERVA VERDE LHES SERÁ PARA MANTIMENTO. E assim se fez (Gn 1.29-30).

Veja que Deus não cita nenhum animal para alimento, mas tão somente vegetais. Agora veja como foi com Noé:

TUDO O QUE SE MOVE E VIVE SER-VOS-Á PARA ALIMENTO; COMO VOS DEI A ERVA VERDE, TUDO VOS DOU AGORA (Gn 9.3).

Deus diz a Noé que seu alimento, a partir daquele momento, seria também de carne, além dos vegetais. Percebe-se claramente que a alimentação nos tempos de Adão, pelo menos antes do pecado, era composta de vegetais e, a partir dos tempos de Noé, também de carne. Interessante notar a ordem de Deus para Noé quanto ao alimento que ele deveria levar na arca, que disse:

LEVA CONTIGO DE TUDO O QUE SE COME, ajunta-o contigo; SER-TE-Á PARA ALIMENTO, A TI E A ELES (Gn 6.21).

A comida de Noé e dos animais era a mesma, o que nos leva a crer que eram vegetais. A dieta do homem vai ser um ponto em que Deus foca em quase todas as renovações da Aliança. Com Adão era uma dieta de vegetais, com Noé uma dieta a base de vegetais e carnes, com Moisés vem uma dieta com abstinência de alimentos e com Jesus Cristo volta-se aos tempos de Noé e cancela-se a abstinência de alimentos.

A abstinência de alimentos vai ser um grande diferencial na Lei Mosaica. Isso vai ser tão impactante que contribuiu e muito para a rejeição de Jesus pelos judeus, pois eles valorizaram tanto este fato, transformando-a em uma tradição, que não aceitaram a mudança proposta pelo seu Messias quando este, finalmente, veio com um ensino diferente do de Moisés.

E o impacto deste novo ensino não foi somente no ministério de Jesus. Durante o estabelecimento da Igreja isso causou grandes divisões entre os discípulos de Cristo, pois havia na Igreja os judaizantes, os quais queriam impor a todos as práticas do que comer e outras leis cerimoniais, as quais foram transitórias até Cristo. E este mal alcançaria também os últimos dias, pois assim diz a Palavra de Deus:

Ora, o Espírito afirma expressamente que, NOS ÚLTIMOS TEMPOS, ALGUNS APOSTATARÃO DA FÉ, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, ² pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, ³ que proíbem o casamento E EXIGEM ABSTINÊNCIA DE ALIMENTOS QUE DEUS CRIOU PARA SEREM RECEBIDOS, COM AÇÕES DE GRAÇAS, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; ⁴ POIS TUDO QUE DEUS CRIOU É BOM, E, RECEBIDO COM AÇÕES DE GRAÇAS, NADA É RECUSÁVEL, ⁵ porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado (1 Tm 1.4-5).

Paulo argumenta que grupos exigirão abstinência de certos alimentos. Aqui ele contesta as leis judaicas que acabam escravizando as pessoas.

Jesus, em seu ministério, foi o oposto de Moisés quanto á questão de alimentos. Certa vez ele disse:

Convocando ele, de novo, a multidão, disse-lhes: Ouvi-me, todos, e entendei. ¹⁵ NADA HÁ FORA DO HOMEM QUE, ENTRANDO NELE, O POSSA CONTAMINAR; mas o que sai do homem é o que o contamina. ¹⁶ [Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.] ¹⁷ Quando entrou em casa, deixando a multidão, os seus discípulos o interrogaram acerca da parábola. ¹⁸ Então, lhes disse: Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que TUDO O QUE DE FORA ENTRA NO HOMEM NÃO O PODE CONTAMINAR, ¹⁹ PORQUE NÃO LHE ENTRA NO CORAÇÃO, MAS NO VENTRE, E SAI PARA LUGAR ESCUSO? E, ASSIM, CONSIDEROU ELE PUROS TODOS OS ALIMENTOS (Mc 7.14-19).

Diferente de Moisés, Jesus nunca diferenciou alimentos entre limpo e imundo. Isso ascendeu a ira dos lideres religiosos da época, que não entenderam a transitoriedade das leis cerimoniais e que diante deles estava quem era maior que a lei. E Jesus os censuravam severamente quanto a isso:

Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías a respeito de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. ⁷ E em vão me adoram, ENSINANDO DOUTRINAS QUE SÃO PRECEITOS DE HOMENS. ⁸ NEGLIGENCIANDO O MANDAMENTO DE DEUS, GUARDAIS A TRADIÇÃO DOS HOMENS (Mc 7.6-8).

Jesus deixou claro que tais ensinamentos tornaram-se tradições dos homens, fato que os impediram de aceitar o seu ensino. Este ensino de Jesus não foi nada fácil de ser superado pelos seus próprios discípulos. Quando começa a história da Igreja eles precisaram ser confrontados por Deus para, finalmente, entenderem os novos princípios da Nova Aliança. Pedro, por exemplo, para ir levar o evangelho aos gentios teve que ser impactado antes por uma visão provinda de Deus:

Então, viu o céu aberto e descendo um objeto como se fosse um grande lençol, o qual era baixado à terra pelas quatro pontas, ¹² CONTENDO TODA SORTE DE QUADRÚPEDES, RÉPTEIS DA TERRA E AVES DO CÉU. ¹³ E OUVIU-SE UMA VOZ QUE SE DIRIGIA A ELE: LEVANTA-TE, PEDRO! MATA E COME. ¹⁴ Mas Pedro replicou: De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi coisa alguma comum e imunda. ¹⁵ Segunda vez, a voz lhe falou: AO QUE DEUS PURIFICOU NÃO CONSIDERES COMUM (At 10.11-15).

Os demais discípulos, que não tiveram a visão de Pedro, o repreenderam, dizendo:

Chegou ao conhecimento dos apóstolos e dos irmãos que estavam na Judeia que também os gentios haviam recebido a palavra de Deus. ² Quando Pedro subiu a Jerusalém, os que eram da circuncisão o arguiram, dizendo: ³ ENTRASTE EM CASA DE HOMENS INCIRCUNCISOS E COMESTE COM ELES (At 11.1-3).

Pedro se defende lhes dizendo sobre a visão que teve e o resultado de sua visita aos gentios:

Quando, porém, comecei a falar, CAIU O ESPÍRITO SANTO SOBRE ELES, COMO TAMBÉM SOBRE NÓS, NO PRINCÍPIO. ¹⁶ Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados como Espírito Santo. ¹⁷ POIS, SE DEUS LHES CONCEDEU O MESMO DOM QUE A NÓS NOS OUTORGOU QUANDO CREMOS NO SENHOR JESUS, QUEM ERA EU PARA QUE PUDESSE RESISTIR A DEUS? ¹⁸ E, ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida (At 11.15-18).

E Paulo, mais tarde, vai dizer:

Portanto, QUER COMAIS, QUER BEBAIS OU FAÇAIS OUTRA COISA QUALQUER, FAZEI TUDO PARA A GLÓRIA DE DEUS (1 Co 10.31).

Não importa o que você come ou deixa de comer, o que importa é você glorificar a Deus com o que faz.

Uma última coisa que podemos notar na comparação entre a bênção de Adão com a bênção de Noé é quanto a Terra. Tanto com Adão como com Noé toda a Terra e os que nela habitam foram entregues nas mãos do homem para cuidar e dominar sobre ela. E o que o homem tem feito com esta Terra que recebeu das mãos de Deus? Como ele tem agido com respeito a natureza? Infelizmente, o homem, caso perdido sem redenção, desacata novamente a Deus e se rebela contra sua Aliança, não preservando a criação de Deus, não cuidando deste único e maravilhoso lar que recebeu de seu Criador; nem mesmo a proporção da tragédia do dilúvio foi capaz de sensibilizar o seu coração. A ambição e o egoísmo do homem tem destruído este lar que Deus criou especialmente para a vida humana. Esta terra foi entregue ao homem para cultivá-la e não para ser destruída e um dia Deus pedirá conta dela!

Tão logo começa a humanidade após o dilúvio e já vemos o homem se rebelando contra Deus na construção da Torre de Babel. E novamente Deus tem que intervir para conter o mal, só que agora não com destruição, mas sim com dispersão:

E o SENHOR disse: Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem. Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer. Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro. Destarte, O SENHOR OS DISPERSOU DALI PELA SUPERFÍCIE DA TERRA; e cessaram de edificar a cidade (Gn 11.6-8).

Deus conteve o mal sem destruir, conforme Ele havia prometido em sua Aliança dizendo:

EIS QUE ESTABELEÇO A MINHA ALIANÇA CONVOSCO, E COM A VOSSA DESCENDÊNCIA, e com todos os seres viventes que estão convosco: tanto as aves, os animais domésticos e os animais selváticos que saíram da arca como todos os animais da terra. Estabeleço a minha aliança convosco: NÃO SERÁ MAIS DESTRUÍDA TODA CARNE POR ÁGUAS DE DILÚVIO, NEM MAIS HAVERÁ DILÚVIO PARA DESTRUIR A TERRA (Gn 9.9-11).

E a testemunha desta renovação da Aliança é o maravilhoso arco-íris:

Disse Deus: ESTE É O SINAL DA MINHA ALIANÇA QUE FAÇO ENTRE MIM E VÓS e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações: POREI NAS NUVENS O MEU ARCO; será por sinal da aliança entre mim e a terra (Gn 9.12-13).

O arco-íris detém a ira de Deus que muda de tática e aplica ao homem outra penalidade.

CONCLUSÃO:

Diante do exposto podemos concluir que a Aliança de Deus com Noé não é uma nova aliança, mas sim a renovação da Aliança Original realizada entre Deus e Adão. Como com Adão, a renovação da Aliança com Noé foi feita com toda a raça humana, descendentes dos filhos de Noé, e não foi desfeita até aos dias de hoje, tendo como prova o arco-íris, o que faz com que ela esteja valendo até aos nossos dias, porque Deus é fiel e Ele nunca permitirá que qualquer promessa sua venha a cair por terra. O que Ele prometeu, Ele cumprirá, tenha certeza disso!

E a renovação da Aliança com Noé provê as condições necessárias para o cumprimento da promessa de redenção do homem, feita lá no Jardim do Éden por Deus. A História da redenção continua seu desenvolvimento na humanidade com o próximo protagonista da história. Que Deus te abençoe e que você viva a esperança da Aliança e das promessas de Deus! Em Cristo! Amém!

Luiz Lobianco

luizlobianco@hotmail.com

Bibliografia:

Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil.

Revista Palavra Viva: O Pacto da Graça. Editora Cultura Cristã.

 

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

A ALIANÇA E O DILÚVIO: A MISSÃO DE NOÉ

A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. ¹² Viu Deus a terra, e eis que estava corrompida; porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na terra. ¹³ Então, disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a terra. ¹⁴ Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora. ¹⁵ Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento; de cinquenta, a largura; e a altura, de trinta. ¹⁶ Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de altura; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro. ¹⁷ Porque estou para derramar águas em dilúvio sobre a terra para consumir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra perecerá. ¹⁸ Contigo, porém, estabelecerei a minha aliança; entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos. ¹⁹ De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares vivos contigo. ²⁰ Das aves segundo as suas espécies, do gado segundo as suas espécies, de todo réptil da terra segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a ti, para os conservares em vida. ²¹ Leva contigo de tudo o que se come, ajunta-o contigo; ser-te-á para alimento, a ti e a eles. ²² Assim fez Noé, consoante a tudo o que Deus lhe ordenara (Gn 6.11-22).

INTRODUÇÃO:

Quando Deus olha para as gerações nos dias de Noé percebe o quanto o mal se multiplicou entre eles, mas a justiça de Noé não passa despercebida por Deus. Noé era uma exceção, um solitário em sua geração. Já imaginou em toda uma geração Deus encontrar apenas um que andava com Ele? Sua fidelidade não permitiu que este único justo perecesse juntamente com os demais, assim como não permitiu que Ló perecesse juntamente com os das cidades de Sodoma e Gomorra. Então, Deus resolve mandar o dilúvio, mas não se esquece de sua misericórdia e, através do justo Noé Deus vai estabelecer oportunidades para o arrependimento daquela geração, pois Deus não queria que somente Noé e sua família entrassem naquela arca. E desde o anúncio do dilúvio até ao último detalhe da fabricação da arca, Noé prega para aquela geração e os convidam a entrarem com ele na arca, mas ninguém o ouviu e somente ele e sua família entraram na arca, pois o capítulo sete de Gênesis começa com Deus ordenando:

Disse o Senhor a Noé: ENTRA NA ARCA, TU E TODA A TUA CASA, PORQUE RECONHEÇO QUE TENS SIDO JUSTO DIANTE DE MIM NO MEIO DESTA GERAÇÃO (Gn 7.1).

Nem um sequer dos dias de Noé deu atenção ao que ele lhes dizia.

01 – A MISSÃO DO JUSTO NOÉ:

Pedro confirma a missão de Noé ao citá-lo como um profeta:

E não poupou o mundo antigo, MAS PRESERVOU A NOÉ, PREGADOR DA JUSTIÇA, e mais sete pessoas, quando fez vir o dilúvio sobre o mundo de ímpios (2 Pd 2.5).

Notou como que mais uma vez a iniciativa de preservação da humanidade vem de Deus? Noé foi preparado pela graça de Deus para uma obra redentora: Preservar a raça humana e a vida animal da destruição do dilúvio. Esta obra redentora consistia na pregação do iminente juízo de Deus, pois enquanto construía a arca, Noé pregava àquela geração. E de acordo com o texto, Noé não converteu a ninguém com a sua pregação a não ser a sua própria família, três filhos e três noras, mais a sua esposa, ou seja, apenas oito pessoas embarcaram naquela arca! Mais uma vez fica em evidência a dureza dos corações das pessoas nos dias de Noé, fato que levou Jesus a comparar aos últimos dias com os dias de Noé em relação à dureza dos corações dos homens.

Talvez, o fato do anúncio de Noé ser uma novidade, o anúncio de algo que ainda não tinha acontecido, tenha contribuído para a incredulidade daquela geração. Há possibilidade de interpretar Hebreus 11.7 com Gênesis 2.6 como que nunca havia chovido antes do dilúvio. Hebreus diz:

Pela fé, Noé, DIVINAMENTE INSTRUÍDO ACERCA DE ACONTECIMENTOS QUE AINDA NÃO SE VIAM e sendo temente a Deus, aparelhou uma arca para a salvação de sua casa; pela qual condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé (Hb 11.7).

A chuva pode ser o entendimento correto de “acontecimentos que ainda não se viam”, ou, também, pode estar se referindo ao dilúvio em geral. E Gênesis diz:

Não havia ainda nenhuma planta do campo na terra, pois ainda nenhuma erva do campo havia brotado; PORQUE O SENHOR DEUS NÃO FIZERA CHOVER SOBRE A TERRA, e também não havia homem para lavrar o solo. ⁶ MAS UMA NEBLINA SUBIA DA TERRA E REGAVA TODA A SUPERFÍCIE DO SOLO (Gn 2.5-6).

Antes do dilúvio, na Terra, possivelmente não havia chovido ainda. Parece que, antes do dilúvio, o orvalho era suficiente para manter a criação regada. Mas a Bíblia não nos diz, especificamente, se havia ou não chovido antes do dilúvio. Noé parecia entender o que era chuva quando Deus mencionou isso para ele dizendo:

Porque, daqui a sete dias, FAREI CHOVER SOBRE A TERRA durante quarenta dias e quarenta noites; e da superfície da terra exterminarei todos os seres que fiz. ⁵ E TUDO FEZ NOÉ, SEGUNDO O SENHOR LHE ORDENARA (Gn 7.4-5).

Podemos até especular que tenha chovido antes do Dilúvio, mas, novamente, a Bíblia não diz especificamente sobre isso.

Além de Gênesis, a Carta aos Hebreus também fala da missão de Noé, pois fala da fé e do temor com que Noé construiu a arca pela qual condenou o mundo de sua época, dizendo:

PELA FÉ, Noé, divinamente instruído acerca de acontecimentos que ainda não se viam e sendo temente a Deus, APARELHOU UMA ARCA PARA A SALVAÇÃO DE SUA CASA; PELA QUAL CONDENOU O MUNDO e se tornou herdeiro da justiça que vem da fé (Hb 11.7).

Uma geração condenada por abandonar ao seu Deus, mas uma geração que ouviu, por aproximadamente cem anos, a pregação de Noé. Mais uma vez Deus exalta a fé. Coloque-se no lugar de Noé! Vamos supor que você nunca tinha visto uma chuva, uma inundação, mas que de repente alguém chega para você e diz para construir um barco porque vai chover muito. Vamos supor que ninguém conhece a Deus, somente você e, de repente, você começa a proclamar que Deus vai destruir tudo com água e aplicar o seu juízo. Com certeza agiríamos como a geração de Noé e, talvez, até nos internariam em um hospício. Foi exatamente isso que aconteceu com Noé. Até ao dia do dilúvio, provavelmente, não tinha chovido ainda na Terra e ninguém conhecia a Deus com exceção de Noé.

Hoje, existem várias pessoas que proclamam o mesmo Deus que anunciamos, mas com Noé não era assim, pois ele era o único que cria em Deus em toda a terra. Em uma situação como essa com certeza ele era taxado como louco, já que servia a um Deus que ninguém mais servia. A história de Noé exalta a misericórdia e a fidelidade de Deus desde o momento em que Ele aparece para Noé e diz:

Então, disse Deus a Noé: RESOLVI DAR CABO DE TODA CARNE, PORQUE A TERRA ESTÁ CHEIA DA VIOLÊNCIA DOS HOMENS; eis que os farei perecer juntamente com a terra. FAZE UMA ARCA DE TÁBUAS DE CIPRESTE; nela farás compartimentos e a calafetarás com betume por dentro e por fora (Gn 6.13-14).

Vemos aí a sentença de Deus, mas Ele não deixaria de lado a sua misericórdia e nem a sua fidelidade à Aliança. Primeiro, Ele ordena a Noé a construção da arca para sua salvação e de sua criação. Depois, Deus estende sua misericórdia àquela geração, estabelecendo a missão de Noé que deveria pregar o dilúvio e convidar a todos para entrarem, juntamente com ele e sua família, naquela arca. Mas ninguém deu ouvido a Noé e ninguém aceitou ao convite para entrar naquela arca, até ao dia em que começou a chover. E Deus, conhecendo a bondade de Noé, sela a porta da arca para que ninguém entre por ela depois que começou a chover, pois depois que a chuva veio não há mais sentido para a fé, porque A FÉ É A CERTEZA DE COISAS QUE SE ESPERAM, A CONVICÇÃO DE FATOS QUE SE NÃO VEEM (Hb 11.1).

Depois da inundação só resta o desespero e o arrependimento de não ter dado ouvido à pregação de Noé. Por isso que não há mais oportunidade de salvação após a morte, porque depois que seus olhos veem a realidade do além, a fé perde todo sentido, e a salvação acontece somente pela fé, conforme Paulo nos diz:

Porque PELA GRAÇA SOIS SALVOS, MEDIANTE A FÉ; e isto não vem de vós; é dom de Deus; ⁹ NÃO DE OBRAS, PARA QUE NINGUÉM SE GLORIE (Ef 2.8-9).

Nenhuma boa obra, nenhuma vida de santidade e nem a oração de alguém a seu favor vai um dia substituir a fé que Deus exige hoje de você. Pense nisso com muita seriedade e não seja incrédulo como os contemporâneos de Noé, pois se isso acontecer, seu destino na eternidade será o mesmo daquela geração incrédula e perversa. Mas se você ouvir a Deus será abençoado como Noé e sua família, pois depois da arca pronta, Deus aparece novamente para Noé e diz:

Disse o Senhor a Noé: ENTRA NA ARCA, TU E TODA A TUA CASA, PORQUE RECONHEÇO QUE TENS SIDO JUSTO DIANTE DE MIM NO MEIO DESTA GERAÇÃO (Gn 7.1).

Na providência de Deus, depois de ter cumprido a risca a sua missão, Noé e sua família são salvos do dilúvio.

Nossos dias não estão diferentes dos dias de Noé. A maioria da humanidade não crê e nem serve a Deus. Estão todos caminhando no espaçoso caminho que leva para a perdição. Nos dias de hoje já se cumpriu a promessa feita lá no Éden. Aquele que esmagaria a cabeça da serpente já veio e venceu a morte, mas muitos o rejeitaram e o rejeitam até aos dias de hoje. Nos dias de Noé Deus mandou o dilúvio e pôs fim àquela geração rebelde. Nos nossos dias Deus, um dia, porá fim, desta vez definitivamente, a esta geração que se recusa a servi-lo e a adorá-lo. Isso acontecerá com a volta gloriosa do Senhor Jesus.

Nos dias de Noé ele pregou e não o ouviram, mas como ele estava do lado certo e dizia a verdade, tudo que ele pregava se cumpriu e todos pereceram. Hoje, a Igreja do Senhor Jesus faz o mesmo papel de Noé e prega o Evangelho, o qual é ridicularizado e rejeitado pela maioria de seus ouvintes. Noé pregava a verdade e foi rejeitado. Da mesma forma a Igreja, que prega a verdade, é rejeitada pelos seus ouvintes. Isso significa que está acontecendo em nossos dias exatamente o que aconteceu nos dias de Noé, cumprindo as palavras de Jesus que disse:

Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai. ³⁷ POIS ASSIM COMO FOI NOS DIAS DE NOÉ, TAMBÉM SERÁ A VINDA DO FILHO DO HOMEM. ³⁸ Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, ATÉ AO DIA EM QUE NOÉ ENTROU NA ARCA, ³⁹ E NÃO O PERCEBERAM, SENÃO QUANDO VEIO O DILÚVIO e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem (Mt 24.36-39).

A Igreja continuará a pregar ao Evangelho e o mundo continuará a rejeitar em ouvi-lo, até ao dia em que tocará a trombeta de Deus e, então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem e todos os olhos verão Jesus voltando, mas nesta hora será tarde demais e todos, instantaneamente, darão conta de si mesmo do erro que cometeram em recusar a ouvir a verdade que a Igreja pregava. Nada mais resta para eles a não ser o que Jesus profetizou que fariam, quando disse:

NESSES DIAS, DIRÃO AOS MONTES: CAÍ SOBRE NÓS! E AOS OUTEIROS: COBRI-NOS! (Lc23.30).

Mas nenhum monte e nenhum, nada e ninguém os livrará da Ira de Deus. Hoje, Jesus está dizendo:

EIS QUE ESTOU À PORTA E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA E CEAREI COM ELE, E ELE, COMIGO (Ap. 3.20).

E disse ainda:

EU SOU A PORTA. SE ALGUÉM ENTRAR POR MIM, SERÁ SALVO; entrará, e sairá, e achará pastagem (Jo 10.9).

O dia que esta porta se fechar não haverá mais oportunidade de salvação, pois assim como a porta da arca foi selada e ninguém mais entrou, assim também será um dia selada a porta da salvação e ninguém mais poderá ser salvo. Depois disso nada mais restará a não ser o juízo de Deus.

Esta porta não será fechada somente na volta de Cristo, porque esta porta é fechada e selada exclusivamente para você depois de sua morte. A decisão que precisa ser tomada tem que ser hoje, pela fé, antes de seus olhos verem a realidade do além e ser tarde demais para decidir, pela fé, por Cristo. Que Deus te abençoe a encontrar o caminho de sua salvação!

02 – ENFIM, O DILÚVIO:

A maldade do homem se multiplicou sobra a face da terra e isso levou Deus a tomar uma atitude drástica naqueles dias. Depois de um século de oportunidade que Deus oferece àquela geração, finalmente Deus executa sua palavra e o dilúvio acontece:

E aconteceu que, depois de sete dias, VIERAM SOBRE A TERRA AS ÁGUAS DO DILÚVIO. No ano seiscentos da vida de Noé, aos dezessete dias do segundo mês, NESSE DIA ROMPERAM-SE TODAS AS FONTES DO GRANDE ABISMO, E AS COMPORTAS DOS CÉUS SE ABRIRAM, E HOUVE COPIOSA CHUVA SOBRE A TERRA DURANTE QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES (Gn 7.10-12).

Depois do nascimento de Cristo, o dilúvio foi o acontecimento mais marcante da história da humanidade. Pode-se dizer que foi um divisor de águas, separando de forma impressionante duas Eras, pois Noé é o último representante de uma era encerrada na história da humanidade, identificada na Bíblia como “nos dias de Noé”. Houve profundas mudanças naqueles dias, entre as quais podemos citar os anos de vida do homem e a transformação geográfica que ocorreu na Terra.

Noé obedeceu a Deus, mesmo diante de um plano aparentemente absurdo: Construir uma arca no quintal de casa. Com sua fé em Deus, Noé contrastou com a incredulidade dos seus contemporâneos. Para Deus, não restou outra coisa a ser feito senão aplicar o seu juízo, mas não se esquecendo de sua Aliança.

Os contemporâneos de Noé foram incrédulos e vemos a incredulidade sempre se repetindo na história de Israel e sempre vemos Deus aplicando na nação o seu juízo, mas nunca deixando de lado a sua misericórdia e a sua fidelidade. Neste ponto Ezequiel diz:

Mas eis que alguns restarão nela, que levarão fora tanto filhos como filhas; EIS QUE ELES VIRÃO A VÓS OUTROS, E VEREIS O SEU CAMINHO E OS SEUS FEITOS; E FICAREIS CONSOLADOS DO MAL QUE EU FIZ VIR SOBRE JERUSALÉM, sim, de tudo o que fiz vir sobre ela. Eles vos consolarão quando virdes o seu caminho e os seus feitos; E SABEREIS QUE NÃO FOI SEM MOTIVO TUDO QUANTO FIZ NELA, diz o SENHOR Deus (Ez 14.22-23).

Sempre existem resultados positivos colhidos da aplicação do juízo de Deus. E o dilúvio também não foi sem motivo, não foi em vão e seus resultados também são positivos. Imagine a repercussão dele na geração dos netos de Noé, ao passar aquela história para seus filhos e olharem para sua geração e verem neles os efeitos daquele grande mal que sobreveio sobre a humanidade, pois foram preservados pela misericórdia de Deus e sua fidelidade à Aliança. Jesus fez uma comparação entre os dias de Noé com os dias que antecederiam a sua volta. Ele disse:

Pois ASSIM COMO FOI NOS DIAS DE NOÉ, TAMBÉM SERÁ A VINDA DO FILHO DO HOMEM. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, ATÉ AO DIA EM QUE NOÉ ENTROU NA ARCA, E NÃO O PERCEBERAM, SENÃO QUANDO VEIO O DILÚVIO E OS LEVOU A TODOS, ASSIM SERÁ TAMBÉM A VINDA DO FILHO DO HOMEM (Mt 24.37-39).

Infelizmente a história da incredulidade do homem e da aplicação do juízo de Deus à humanidade vai se repetir novamente. Contudo, Deus não deixará de lado a sua misericórdia para com seus eleitos e não se esquecerá de sua Aliança e de suas promessas. Apesar dos nossos dias serem comparados com os dias de Noé em relação à incredulidade, existe em nossos dias um agravante, pois assim Jesus falou de nossos dias:

PORQUE NESSE TEMPO HAVERÁ GRANDE TRIBULAÇÃO, COMO DESDE O PRINCÍPIO DO MUNDO ATÉ AGORA NÃO TEM HAVIDO E NEM HAVERÁ JAMAIS (Mt 24.21).

Nos dias de Noé a multiplicação da maldade e a incredulidade do homem foram marcantes, nos nossos dias o destaque vai, além da multiplicação da maldade e da iniquidade, para a grande tribulação que acontecerá no final dos tempos, tão grande e tão forte que nunca houve na História da humanidade tempos iguais. Diante desta grande tribulação, Deus não se esquece de sua Igreja, pois Jesus, falando dos últimos dias e da tribulação que ocorreria nestes dias, falou:

NÃO TIVESSEM AQUELES DIAS SIDO ABREVIADOS, NINGUÉM SERIA SALVO; MAS, POR CAUSA DOS ESCOLHIDOS, TAIS DIAS SERÃO ABREVIADOS (Mt 24.22).

Tais palavras demonstram o quanto será terrível o dia da Ira de Deus e tão esplêndida é a misericórdia de Deus. Deus teve misericórdia de seus escolhidos e abreviou tais dias. Ele é Deus benigno, fiel, que não se esquece de sua Aliança. Você faz parte daqueles que vivem nestes últimos tempos. Nem preciso te lembrar do quanto está difícil viver em nossos tempos, o quanto aumentou a maldade do homem, o quanto a incredulidade reina em nossos tempos; e olha que nem entramos ainda na grande tribulação, vivemos apenas os primórdios destes dias. Mas apesar de parecer que Deus nos abandonou ou que Ele tenha perdido o controle da situação, na verdade, Ele está agindo e executando seu plano na íntegra de seu planejamento. E quando ocorrerá a volta de Cristo? Os discípulos de Jesus quiseram saber, mas assim foram advertidos por Ele:

Respondeu-lhes: NÃO VOS COMPETE CONHECER TEMPOS OU ÉPOCAS QUE O PAI RESERVOU PELA SUA EXCLUSIVA AUTORIDADE (At 1.7).

Este dia é discricionalidade exclusiva de Deus. A Ele e somente a Ele pertence a determinação dos últimos dias. Para nós parece demorado, parece que Deus mudou de ideia, parece que Deus deixou a humanidade à mercê de seu próprio destino, afinal, desde que Jesus foi elevado ao Céu ouve-se falar de sua volta. Mas se desde os dias dos Apóstolos já reclamavam da demora de Jesus, como não reclamariam depois de se passado dois mil anos? Mas Pedro nos explica a razão desta demora:

Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ELE É LONGÂNIMO PARA CONVOSCO, NÃO QUERENDO QUE NENHUM PEREÇA, SENÃO QUE TODOS CHEGUEM AO ARREPENDIMENTO (2 Pd 3.9).

É para dar oportunidade a todos que Deus demora na aplicação de sua Ira, pois assim como nos dias de Noé Deus concedeu um século de oportunidade para as pessoas ouvirem a pregação do justo Noé e se arrependerem, assim também Deus está dando oportunidade para que as pessoas ouçam a pregação da Igreja de Deus, se arrependam e se convertam de seus maus caminhos. Mas Pedro também adverte:

VIRÁ, ENTRETANTO, COMO LADRÃO, O DIA DO SENHOR, no qual os céus passarão com estrepitoso estrondo, e os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas (2 Pd 3.10).

Por mais que demore este dia chegará. O dilúvio foi um sinal da justiça e da misericórdia de Deus, que fez acontecer o dilúvio por causa da maldade da humanidade, porque a terra estava cheia de violência por causa dos homens. A humanidade se tornou perversa e violenta e só queria fazer o mal, o que entristeceu a Deus, que decidiu destruir sua criação. Deus, com o dilúvio, destruiu todas as criaturas na terra, mas poupou quem entrou na arca. Deus foi cruel por isso? O dilúvio foi uma injustiça de Deus? Não! Deus não é cruel e o dilúvio não foi um ato de injustiça, pois Deus não se agrada com a morte de ninguém. Ele mesmo diz:

PORQUE NÃO TENHO PRAZER NA MORTE DE NINGUÉM, DIZ O SENHOR DEUS. Portanto, convertei-vos e vivei (Ez 18.32).

Mas o pecado tem de ser castigado e o preço do pecado é a morte. Paulo confirma isso quando diz que O SALÁRIO DO PECADO É A MORTE (RM 6.23). As pessoas do tempo de Noé tinham abandonado a Deus e se entregado completamente ao pecado, estavam vivendo em desobediência e rebeldia, agindo com incredulidade quanto a Deus e ao seu juízo, negligenciaram a pregação de Noé. Mais cedo ou mais tarde, todos iriam colher as consequências disso, todos seriam castigados. E um dia haverá novo julgamento da humanidade, pois Jesus disse:

QUANDO VIER O FILHO DO HOMEM NA SUA MAJESTADE E TODOS OS ANJOS COM ELE, ENTÃO, SE ASSENTARÁ NO TRONO DA SUA GLÓRIA; ³² E TODAS AS NAÇÕES SERÃO REUNIDAS EM SUA PRESENÇA, E ELE SEPARARÁ UNS DOS OUTROS, COMO O PASTOR SEPARA DOS CABRITOS AS OVELHAS; ³³ e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos, à esquerda; ³⁴ então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: VINDE, BENDITOS DE MEU PAI! ENTRAI NA POSSE DO REINO QUE VOS ESTÁ PREPARADO desde a fundação do mundo. ⁴¹ Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: APARTAI-VOS DE MIM, MALDITOS, PARA O FOGO ETERNO, PREPARADO PARA O DIABO E SEUS ANJOS (Mt 25.31-34, 41).

Todos que vivem no pecado, rejeitando a Deus, serão castigados. Mas Deus mais uma vez demonstra a sua misericórdia, pois providenciou uma escapatória: Jesus. Jesus é a nossa arca, nossa única salvação, pois a Bíblia diz:

E NÃO HÁ SALVAÇÃO EM NENHUM OUTRO; PORQUE ABAIXO DO CÉU NÃO EXISTE NENHUM OUTRO NOME, DADO ENTRE OS HOMENS, PELO QUAL IMPORTA QUE SEJAMOS SALVOS (At 4.12).

Quem se arrepende de seus pecados e aceita Jesus como salvador receberá a misericórdia de Deus e viverá eternamente, conforme diz a Bíblia:

PORQUE DEUS AMOU AO MUNDO DE TAL MANEIRA QUE DEU O SEU FILHO UNIGÊNITO, PARA QUE TODO O QUE NELE CRÊ NÃO PEREÇA, MAS TENHA A VIDA ETERNA (Jo 3.16).

Restando a cada um de nós fazer o que Pedro falou a uma grande multidão:

ARREPENDEI-VOS, POIS, E CONVERTEI-VOS PARA SEREM CANCELADOS OS VOSSOS PECADOS (At 3.19).

CONCLUSÃO:

Tudo que acontece em nossos dias e tudo que vivemos tem seu motivo e faz parte do planejamento de Deus. Se o desafio nos dias de Noé era crer e entrar na arca, não é diferente em nossos dias, em que precisamos crer em Jesus Cristo. Apesar das tribulações, da incredulidade, das dificuldades, a resposta que Deus espera de nós a tudo isso é a fé. Por isso, não importa a situação em que estás vivendo, porque ela é passageira e um dia terá fim, mas a atitude que você toma diante dessa vida difícil trará resultados eternos. Por mais difícil que seja, creia, e por causa de sua fé e perseverança Deus lhe dará a coroa da vida na eternidade.

Não pereça como os contemporâneos de Noé pereceram. Não fique ao lado da maioria, como os contemporâneos de Noé ficaram. Não sejas incrédulo como os contemporâneos de Noé, antes, creia no juízo de Deus e prepare-se para comparecer perante Ele. Termino deixando a mesma advertência que Ezequiel deixou com a nação de Israel, o qual disse:

PORTANTO, EU VOS JULGAREI, A CADA UM SEGUNDO OS SEUS CAMINHOS, ó casa de Israel, diz o Senhor Deus. Convertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões; e a iniquidade não vos servirá de tropeço. ³¹ Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes e criai em vós coração novo e espírito novo; pois, por que morreríeis, ó casa de Israel (Ez 18.3031)?

Que Deus te abençoe e te conduza a uma vida de fé para que não venha a perecer na eternidade. Amém!

Luiz Lobianco

luizlobianco@hotmail.com

Bibliografia:

Bíblia Sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. Sociedade Bíblica do Brasil.

Revista Palavra Viva: O Pacto da Graça. Editora Cultura Cristã.