Para Refletir

Há momentos na vida difíceis de serem suportados, em que a única vontade que sentimos é de chorar, pois parecem arruinar para sempre nossa vida. Quando um destes momentos chegar, lembre-se que ainda não chegou o fim, que a sua história ainda não acabou e que ainda há esperança. Corrie Ten Boom disse: "não há abismo tão profundo que o amor de Deus não seja ainda mais profundo". Este amor você encontra aqui, um lugar de esperança, consolo e paz, e aqui encontrará a oportunidade de conhecer a verdadeira vida, uma vida abundante com Cristo.

sábado, 14 de junho de 2014

A MORTE E O ESTADO INTERMEDIÁRIO DA ALMA



27  E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo (Hb 9.27).
7  e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu (Ec 12.7).

INTRODUÇÃO

Nascemos, vivemos e morremos. E depois? Esta pergunta tem desafiado a humanidade através da História do Mundo. Uma coisa é certa, nosso entendimento sobre o que acontece após a morte influenciará muito a forma como vivemos hoje neste mundo. E para aqueles que procuram agradar a Deus, é importante saber o que Ele nos revela sobre este assunto.
A doutrina evangélica afirma que a alma, após a morte, ou a sua separação do corpo, continua a existir em um estado consciente. Breve Catecismo, pergunta 37, nos diz:
“As almas dos fiéis na hora da morte são aperfeiçoadas em santidade e imediatamente entram na glória; e os seus corpos, estando ainda unidos a Cristo, descansam nas suas sepulturas até a ressurreição”.
Esse estado é chamado intermediário, porque se acha entre a morte e a ressurreição. Nele a alma está sem corpo, mas ele é para os justos um estado de alegria consciente e para os maus, um estado de sofrimento consciente.
O que é a morte? O que acontece depois da morte? O que nos acontece entre o tempo que morremos e o tempo em que Cristo vai retornar para nos dar corpos ressurretos? A Bíblia nos fornece respostas claras e objetivas a essas perguntas e somente por um estudo da Bíblia podemos entender isso e evitar os perigosos erros ou as doutrinas humanas sobre o estado da alma e do corpo após a morte.

1 – DEFINIÇÃO DA MORTE: O QUE É A MORTE?

O que a Bíblia ensina sobre a morte nos define bem este mal que assombra a humanidade.

A – A morte significa separação

Veja o que a Bíblia diz sobre a criação do homem:

7 Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente Gn 2.7.

Observe que a Bíblia não diz que Deus criou o corpo do homem, mas criou o homem e ele passou a ser alma vivente. Ele foi criado para identificar-se e expressar-se por meio do corpo, e não fora dele. O pecado, porém, desmontou o que deveria ser eterno, incorporando um terrível elemento degenerador que é a morte.
Quando Deus disse a Adão que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele revelou que a consequência da desobediência seria a morte:

16  E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente,
17  mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gn 3.16, 17).

E o casal comeu do fruto e Deus cumpriu a sua promessa sobre a consequência do pecado, porque Ele sempre fala a verdade e nunca quebra uma promessa. Adão e Eva conheceram, naquele mesmo dia, a morte. Isso significa que se não tivessem comido do fruto não morreriam, significa que o homem não foi criado para morrer, mas para viver eternamente. E a morte passou para a descendência de Adão:

12  Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram (Rm 5.12).

Então, o que é a morte? A morte é uma separação. Há dois tipos de morte: a física e a espiritual. No dia em que pecaram, Adão e Eva conheceram a morte espiritual. Naquele dia eles foram separados de Deus, naquele dia eles foram expulsos do Jardim do Éden.
A razão para esta morte espiritual, esta separação de Deus, é sempre a mesma: separamo-nos de Deus pelos nossos próprios pecados.

2  Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça (Is 59.2).

O caso de Adão e Eva nos ajuda a entender que é possível estar fisicamente vivo, enquanto que morto espiritualmente, como estávamos nós antes de sermos salvos:

1  Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados (Ef 2.1).

A morte física também é uma separação: a separação da alma do corpo. Quando o corpo está separado do espírito, ele está morto:

26  Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta (Tg 2.26).

E um dos textos básico nos diz o que acontece no fim da vida, na morte física:

7  e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu (Ec 12.7).

Depois de pecar Adão viveu 930 anos e conheceu a morte física. Ele e sua esposa morreram, tiveram suas almas separadas de seus corpos e foram também separados de seus entes queridos e totalmente separados deste mundo.

B – A morte é o resultado final da vida neste mundo decaído

Em sua grande sabedoria, Deus decidiu que não nos aplicaria os benefícios da obra redentora de Cristo de uma só vez. Antes, Ele escolheu aplicar os benefícios da salvação de modo gradual em nossa existência.
Semelhantemente, Deus resolveu não remover todo o mal do mundo de imediato, mas esperar até o juízo final e o estabelecimento do novo céu e da nova terra para remover da humanidade todas as consequências da queda. Isso significa que ainda vivemos em um mundo decaído e nossa experiência de salvação ainda é incompleta.
O último aspecto do mundo decaído a ser removido será a morte. Paulo diz:

24  E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.
25  Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés.
26  O último inimigo a ser destruído é a morte (1 Co 15.24-26).

E Paulo conclui dizendo que quando Cristo retornar esta vitória se cumprirá:

54  E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.
55  Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão (1 Co 15.54, 55)?

Mas até aquele tempo a morte vai continuar a ser uma realidade a todos nós, porque ela acontece como resultado de vivermos no mundo decaído, onde os efeitos do pecado não foram ainda removidos. E até que Cristo retorne, todos nós continuaremos a envelhecer e morrer, porque o último inimigo ainda não foi destruído.
Deus resolveu permitir que experimentássemos a morte antes de ganharmos todos os benefícios da salvação.

2 – O DESTINO E O ESTADO DA ALMA APÓS A MORTE

Já vimos que com a morte o espírito volta a Deus, mas o que Ele fará com meu espírito? A Bíblia é clara ao apresentar diversos fatos vitais e pode satisfazer a nossa curiosidade sobre o que acontece depois da morte.
Quanto ao destino, diz a Bíblia que Deus confortará e dará descanso ao fiel e mandará o ímpio para um lugar de tormento. Ou seja, o destino dependerá da forma como vivemos neste mundo, se cremos ou não em Cristo:

25  Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos (Lc 16.25).

A – As almas dos crentes, quando ausentes do corpo, estão presentes com o Senhor

22  Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão... (Lc 16.22).

Três expressões eram vulgarmente usadas entre os judeus para expressar o futuro estado da bem-aventurança ou o céu: O Jardim do Éden ou Paraíso; O Trono da Glória; e o Seio de Abraão. Aqui Jesus usa a terceira expressão para falar do céu.
A expressão “seio de Abraão” também transmite a idéia de consolo, paz e segurança, visto que Abraão, como progenitor da nação judaica, naturalmente preocupava-se com o bem estar de todos os seus descendentes. E no verso 25 Jesus diz que Lázaro está consolado no seio de Abraão.
O episódio de um dos ladrões crucificados com Cristo também nos fornece provas concretas da ida da alma a Deus logo após a morte:

42  E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.
43  Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso (Lc 23.42, 43).

Jesus e aquele ladrão morreram naquele dia. Era sexta-feira e nenhum deles poderia estar vivo no sábado, por isso, depois de certo tempo, quebravam as pernas do crucificado para apressar a sua morte, pois não podendo mais se sustentar com suas pernas, morria asfixiado. Ao chegarem para quebrarem as pernas de Jesus viram que Ele já estava morto. Naquele dia mesmo, conforme as palavras de Jesus, seus espíritos voltaram para Deus.
Outro exemplo muito forte que nos mostra que estaremos com o Senhor após a morte é Estevão na hora de sua morte:

59  E apedrejavam Estêvão, que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito (At 7.59)!

O desejo de Paulo em partir logo sustenta também a doutrina da presença da alma com o Senhor logo após a morte:

23  Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1.23).

Se não fosse para estar na presença de Deus porque ele desejaria tanto a morte? E em sua segunda carta aos Coríntios, capítulo cinco, Paulo está falando sobre a morte quando disse:

1  Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus (2 Co 5.1).

Quando fala em casa terrestre, Paulo se refere ao nosso corpo. Se desfizer quer dizer morrer. Ele diz que devemos ficar tranqüilos com a morte porque temos morada certa com Deus lá no céu. E ele conclui dizendo:

8  Entretanto, estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor (2 Co 5.8).

Era por isso que Paulo não tinha medo da morte, porque sabia que estaria com o Senhor logo depois dela. Em confiança é a forma como devemos viver neste mundo em relação a morte e tenhamos a convicção de Paulo quanto a isso:

8  Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor (Rm 14.8).

B – As almas dos ímpios, quando ausentes do corpo, estão no inferno

A Escritura nunca nos encoraja a pensar que as pessoas terão outra oportunidade de crer em Cristo após a morte. A parábola do homem rico e Lázaro é um bom exemplo desta situação.

22  ... morreu também o rico e foi sepultado.
23  No inferno, estando em tormentos ... (Lc 16.22, 23).

Diz o texto que aquele homem rico, aquele que vivia em regalias todos os dias e não se preocupava com o amanhã, morreu e que logo depois de sua morte já estava no inferno.
Aqueles que negam a imortalidade da alma, a existência do inferno e o gozo do céu logo após a morte, fatos verídicos nesta parábola, afirmam que ela é uma ficção e por isso não pode ser considerada como doutrina. Realmente, a história da parábola é ficção, como tantas outras, mas o ensino que Jesus queria transmitir através dela é verdadeiro. Além do mais, se formos para este lado, devemos ter a mesma consideração por todas as parábolas de Jesus e não somente por esta.

C – Quanto ao estado da alma após a morte é de consciência, tanto a do justo no céu, quanto a do ímpio no inferno

A existência consciente, tanto dos justos como dos ímpios após a morte, é uma realidade bíblica. Na parábola do homem rico e Lázaro, note o estado de consciência do homem rico:

22  Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.
23  No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.
24  Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.
25  Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.
26  E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.
27  Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,
28  porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.
29  Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.
30  Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.
31  Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos (Lc 16.22-31).

Ainda que o corpo esteja sepultado, os tormentos da alma são descritos como físicos. Jesus aqui acomoda os seus ensinos às concepções humanas ao usar os termos olhos, dedo e língua. Ele usa de figuras materiais para expressar realidades espirituais. Além do mais, Jesus não estava contando esta parábola para anjos, mas para seres humanos! E a linguagem tinha que ser a que nos conhecemos.
A parábola do homem rico e Lázaro não é o único exemplo para sustentar esta doutrina na Bíblia. Em Apocalipse capítulo seis, João descreve sobre as almas dos justos no céu. E note também o estado consciente delas:

9  Quando ele abriu o quinto selo, vi, debaixo do altar, as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam.
10  Clamaram em grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, não julgas, nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?
11  Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram (Ap.6.9-11).

Temos ainda o exemplo de Moisés e Elias, que séculos depois de suas mortes (a de Moisés) apareceram a Jesus no monte da transfiguração:

3  E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.
4  Então, disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três tendas; uma será tua, outra para Moisés, outra para Elias (Mt 17.3,4).

Se Moisés tinha ressuscitado, então Cristo não é as primícias dos que estão mortos. E se não tinha ressuscitado, como de fato ainda não ressuscitou, isto prova a consciência da alma após a morte.

D – Tanto o destino como a situação da alma após a morte são irrevogáveis

Não haverá revogação do destino moral e espiritual, nem dos justos nem dos ímpios após a morte.

27  E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo (Hb 9.27).

O autor de Hebreus associa a morte com a consequência do julgamento em uma sequência imediata a ela.
Além disso, a Escritura nunca apresenta o juízo final como dependente de qualquer coisa feita após a nossa morte, mas dependendo somente do que aconteceu nesta vida.
Podemos concluir até aqui que a morte não é o fim da existência, mas uma separação e que a alma, ou espírito, é lançado em seu destino desde a sua separação do corpo e vive em estado consciente, e que seu destino e sua situação jamais poderão ser alterados.

3 – O DESTINO E A SITUAÇÃO DO CORPO APÓS A MORTE

Já vimos como fica a alma após a morte. E o corpo, o que acontecerá a ele?

A – O corpo dos justos

Deus não deixará nosso corpo morto na sepultura para sempre. Quando Cristo nos redimiu, Ele não redimiu apenas nosso espírito — Ele nos redimiu como pessoas completas; e isso inclui a redenção de nosso corpo. Portanto, a aplicação da obra redentora de Cristo a nós não será completa até que nosso corpo seja inteiramente liberto dos efeitos da queda e trazido ao estado de perfeição para o qual Deus o criou.
A redenção de nosso corpo ocorrerá somente quando Cristo retornar e ressuscitá-lo dentre os mortos. Mas, no tempo presente, Paulo diz que esperamos pela redenção do nosso corpo:

23  E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo (Rm 8.23).

O estágio da aplicação da redenção em que receberemos por fim o corpo ressuscitado é chamado de glorificação. Referindo-se àquele dia futuro, Paulo diz que participaremos da glória de Cristo:

17  Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados (Rm 8.17).

Glorificados como Jesus o foi depois de sua ressurreição. Além disso, quando Paulo traça os passos na aplicação da redenção, o último que menciona é a glorificação:

30  E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm 8.30).

Podemos definir glorificação da seguinte maneira: A glorificação é o passo final na aplicação da redenção. Ela acontecerá quando Cristo retornar e ressuscitar dentre os mortos os corpos de todos os crentes de todas as épocas que morreram e reuni-los às respectivas almas, e mudar os corpos de todos os crentes que permanecerem vivos, dando assim a todos os crentes, ao mesmo tempo, um corpo ressuscitado e perfeito igual ao Seu.

B – O corpo dos ímpios

Embora os descrentes passem para o estado de punição eterna imediatamente após a morte, o corpo deles não será ressuscitado até o dia do juízo. Naquele dia, o corpo de cada um será ressuscitado e reunido a alma, e comparecerão perante o trono de Deus para o juízo final que vai ser pronunciado sobre eles, incluindo o corpo:

12  Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras, conforme o que se achava escrito nos livros (Ap 20.12).
15  E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo (Ap 20.15).

Deus não vai deixar o corpo para sempre na sepultura, pois, quando Cristo retornar, a alma será reunida ao corpo e o corpo será ressuscitado dentre os mortos em um corpo imortal que jamais morrerá novamente. Os salvos finalmente viverão com Cristo por toda a eternidade e os perdidos estarão separados e condenados aos tormentos do inferno eternamente.

4 – CONTESTAÇÃO ÀS DOUTRINAS HUMANAS SOBRE O ESTADO DA ALMA APÓS A MORTE

Infelizmente, há muitas doutrinas conflitantes sobre a morte e a eternidade. Consideremos, brevemente, cinco exemplos de doutrinas humanas que contradizem o ensinamento da Bíblia.

A – A aniquilação

Esta teoria diz que o ser humano cessa de existir após a sua morte, uma vez que a substância material, que é o corpo, é perecível. Essa é a doutrina do aniquilamento do ser, que não tem base bíblica.
As pessoas que não acreditam na existência de Deus, obviamente, negam a ideia de vida após a morte. Outros, mesmo entre aqueles que se proclamam seguidores de Jesus, ensinam que os injustos deixarão de existir, quando morrerem. Em contraste, Jesus claramente ensinou que a existência não cessa com a morte.

31  E, quanto à ressurreição dos mortos, não tendes lido o que Deus vos declarou:
32  Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ele não é Deus de mortos, e sim de vivos (Mt 22.31,32).

O problema fundamental nesta doutrina humana que diz que a existência cessa com a morte, é o erro de não entender que a morte é uma separação, e não o fim da existência da pessoa.
Algumas igrejas, seguindo doutrinas erradas, negam a existência do inferno e pregam o aniquilamento do ímpio, mas a Bíblia mostra que todos serão julgados e separados, os justos para a vida eterna e os ímpios para o castigo eterno, separados de Deus para sempre.

28  Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão:
29  os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo (Jo 5.28-29).
34  então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo.
41  Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos.
46  E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna (Mt 25.34, 41, 46).

B – A reencarnação

Muitas pessoas estão fascinadas pela ideia da reencarnação, incluindo-se aquelas que seguem religiões orientais, como o hinduísmo, e outras que aceitam a filosofia da Nova Era ou os ensinamentos do Espiritismo. A doutrina da reencarnação diz que nossa alma voltará, possivelmente centenas de vezes, para viver novamente e para ser aperfeiçoada em consecutivas vidas.
A Bíblia não diz nada para provar esta ideia. Em contraste, a Bíblia ensina que morreremos só uma vez:

27  E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juíz.
28  assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação  (Hb 9.27, 28).

Pense no significado desta afirmação. Se uma pessoa precisa morrer muitas vezes, qual é o valor do sacrifício de Jesus? Teria Ele também que morrer muitas vezes? Esta passagem mostra que Ele morreu uma vez para pagar o preço de nossos pecados.
Em sua segunda carta aos Coríntios, Paulo afirma que cada pessoa será julgada individualmente:

10  Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo ( 2 Co 5.10).

Neste versículo, Paulo não fala de corpos, mas de um corpo só.
O espírito não volta para ser aperfeiçoado em outros corpos. Quando morremos, o nosso espírito volta para Deus. Além do mais, a ideia de que nossas almas são aperfeiçoadas através da reencarnação é absolutamente oposta à doutrina Bíblica de que somos salvos pela graça de Deus.

8  Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;
9  não de obras, para que ninguém se glorie.
10  Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas (Ef 2.8,9).

C – O purgatório

A doutrina do purgatório foi propagada pelo catolicismo, e sugere que há uma oportunidade depois da morte para expurgar dos pecados antes de entrar no céu. Esta doutrina diz que a alma após a morte vai para um lugar intermediário, onde aguarda o perdão de Deus, em virtude da intercessão dos parentes e amigos vivos. Este lugar intermediário é chamado de purgatório.
Esta doutrina diminui o valor do sacrifício de Cristo, que deu a seus servos o dom gratuito da salvação. Não podemos merecer nossa passagem para o céu, nem antes nem depois da morte.
Um problema ainda mais sério com essa doutrina é que ela ensina que devemos acrescentar alguma coisa à obra redentora de Cristo e que a sua obra redentora por nós não foi suficiente para pagar a penalidade de todos os nossos pecados. Mas isso é contrário ao ensino da Escritura.
Além do mais, quando a Bíblia fala da situação dos mortos, ela diz que é impossível ao ímpio escapar dos tormentos para entrar no conforto dos fiéis:

26  E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós (Lc 16.26).

A doutrina do purgatório, simplesmente, não é fundamentada na Bíblia. Além disso, a doutrina do purgatório rouba dos cristãos o grande conforto de saber que os que morrem vão imediatamente para a presença do Senhor.

D – O sono da alma junto com o corpo sepultado

Essa doutrina ensina que, quando o salvo morre, ela entra no estado de existência inconsciente, e a próxima coisa de que terá consciência será quando Cristo retornar e o ressuscitar para a vida eterna. A Alma dorme logo após a morte.
O suporte para esse pensamento tem sido geralmente encontrado no fato de que a Escritura diversas vezes fala do estado dos mortos como de um sono ou de adormecer.

2 Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno (Dn 12.2).
24 Retirai-vos, porque não está morta a menina, mas dorme. E riam-se dele (Mt 9.24).
11 Isto dizia e depois lhes acrescentou: Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo (Jo 11.11).
30 Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem (1 Co 11.30).
51 Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos (1 Co 15.51).
14 Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem (1 Ts 4.14).

Porém, quando a Escritura apresenta a morte como sono, trata-se simplesmente de uma expressão metafórica usada para indicar que a morte é somente temporária para os cristãos, exatamente como o sono é temporário.
As passagens que se referem aos mortos como estando dormindo, devem ser entendidas como simples linguagem de aparência, literalmente aplicáveis somente ao corpo. Quanto ao estado da alma devemos seguir o exemplo da parábola do homem rico e Lázaro, do ladrão na cruz, de Estevão e do anseio de Paulo pela morte, e outros já vistos acima.

E – A Comunicação com os mortos

A prática do espiritismo e de algumas outras religiões, ao tentar comunicar-se com os mortos, é absolutamente oposta ao ensinamento da Bíblia. Quando o homem rico, na parábola de Jesus, pediu que um mensageiro dos mortos fosse enviado para ensinar sua família, Jesus disse que isso não seria permitido, e que nem era necessário.
No Velho Testamento, Deus condenou como abominação o consultar aos mortos:

9  Quando entrares na terra que o SENHOR, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.
10  Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;
11  nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos;
12  pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti (Dt 18.9-12).

A consulta aos mortos é ligada a idolatria e a feitiçaria, coisas que são sempre condenadas, tanto no Velho como no Novo Testamento.
O entendimento correto do ensinamento Bíblico sobre a morte tem aplicação prática em nossas vidas. Devemos resistir às doutrinas e práticas que não são baseadas na Bíblia, e devemos viver de acordo com os ensinamentos da Bíblia, de modo que estejamos preparados quando a morte bater em nossa porta e formos ao encontro de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Afinal, vivemos em um mundo tenebroso, mas é aqui que decidimos o destino de nossa alma e do nosso corpo na eternidade.

42  Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor (MT 24.42).
14  Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis (2 Pd 3.14)

Conclusão

A morte é a cessação temporária da vida corporal e a separação entre a alma e o corpo. Uma vez que a pessoa morre, embora o seu corpo físico permaneça sepultado na terra, no momento da morte a alma do salvo vai imediatamente para a presença de Deus com regozijo, e a alma do perdido vai para o tormento do inferno.
O correto entendimento da morte e o destino da alma após ela devem retirar de nós todo o temor da morte que assalta a nossa mente. Todavia, embora Deus venha a nos fazer um bem por meio do processo da morte (especialmente para aqueles que são salvos), devemos ainda lembrar que a morte não é natural, não é uma coisa boa e, no mundo criado por Deus, ela é algo que não deveria existir. Ela é uma inimiga vencida por Cristo e que um dia finalmente Ele vai destruí-la.
Luiz Lobianco
luizlobianco@hotmail.com

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